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A missão de Victória Holzbach em Moçambique foi destaque na revista Contato Vip - Fernando Luiz Concatto

 

A jornalista passofundense Victória Holzbach (26), está em missão na cidade de Moma, em Moçambique. Ela nos revela particularidades do país e da África, lugares, culturas e povos cheios de vontade de viver

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Há alguns anos, a jovem jornalista Victória Holzbach (26) percebeu que era pouco demais para ela terminar a faculdade, casar e ter filhos.  Isso ainda lhe parecia uma vida incompleta, apesar de toda a felicidade que a realização profissional e a constituição de uma família podem trazer. Ela sempre acreditou que somos seres humanos porque somos capazes de buscar a nossa própria felicidade, e a sua estava, ironicamente, em sair de tudo aquilo que considerava como mundo e rever todas as prioridades da sua vida.

Victória está participando da missão em Moma, distrito da Província de Nampula, norte de Moçambique, desde setembro de 2016 e deve permanecer por três anos. “Quando soube da missão aqui, percebi que era isso que queria – ou precisava! Acredito que um mundo muito melhor se constrói quando somos capazes de compreender com compaixão e empatia a cultura, a religião, os costumes, as opções e os contextos sociais, políticos e históricos de um povo”, revela.

Em Moma, os dias dela têm tudo, menos rotina. “Muitas vezes faço planos para o dia seguinte, que são alterados por inúmeros motivos. Ou falta energia, ou o carro estraga, ou surge alguém que precisa de ajuda, ou chove muito e bloqueia a estrada… Normalmente, meus dias são em torno do acompanhamento as fotocopiadoras, a biblioteca e ao projeto com as crianças”, conta.

Além disso, Victória também é responsável por acompanhar em duas paróquias o trabalho com as mulheres, jovens, comunicação e ritos de iniciação das meninas, pois na cultura africana as crianças se tornam jovens e preparadas para a vida depois que fazem o rito de iniciação, que nos meninos inclui também a circuncisão.

“Falar sobre a África é como falar de um mundo que conheço só um pedacinho. Ao contrário do que podemos imaginar, a África é muito plural – o que acontece inclusive com Moçambique. O desenvolvimento que veio da África do Sul chegou apenas até o centro do país, de modo que o norte é uma realidade muito diferente e com ainda mais problemas sociais.

As guerras, pela independência de Portugal (1964-1675) e pelo governo do país (1977-1992) ainda deixam rastros nas famílias e no povo moçambicano. A corrupção é comum em todos os ambientes, níveis e esferas. Do policial ao professor, do guarda de trânsito ao médico.

Mesmo depois de mais de 20 anos do fim da guerra civil, ainda é visível o pouco desenvolvimento em relação a políticas de saúde pública, educação, economia e capacitação profissional. Prevalecendo uma taxa altíssima de analfabetismo e o ensino de baixa qualidade.

Por outro lado, o povo resiste na música, na dança, na culinária, nas histórias, nas tradições e na cultura. No norte, grande parte do povo é de cultura makua, que é também o nome do idioma falado por aqui – apesar do português ser a língua oficial do país.

De forma geral, o turismo gira em torno de alguns parques e reservas naturais (mais comuns na África do Sul e na Tanzania). Além disso, as praias muito preservadas também atraem alguns turistas. Cada vez mais os resorts dominam uma pequena ilha no meio do Índico e lá acolhem turistas que chegam pelo ar para não passar pelas estradas e infraestruturas precárias do país.

Sempre acredito que uma viagem não pode ser feita de monumentos – apesar de já ter viajado à Europa e ter feito este tipo de turismo. Do mesmo modo, sei que a África e Moçambique podem oferecer muito mais que os tão desejosos safaris ou um banho em uma praia cristalina. Imagino que elefantes, leões e girafas são lindos, mas tenho certeza que não são capazes de transmitir a alegria e a história deste povo.

Por isso, sugiro para quem quer mesmo conhecer Moçambique, que comece conversando com as pessoas nas feiras, comunidades e, se tiver a oportunidade de chegar ao interior, vai conhecer uma versão ainda mais pura de simplicidade e alegria.

 

Fernando Luiz Concatto\PASCOM

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