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A esquina - Kerley Carvalhedo

 

leitor Na semana passada ouvi alguém dizer que adorava ler nos finais de tarde num mesmo banquinho da praça. Outro disse que para se distrair preferia ir até o shopping e ficar dando voltas olhando para os desconhecidos.  E mais um disse que o boteco da esquina era melhor do que qualquer sala de terapia.

E por falar em esquina, é exatamente numa esquina que vou pelo menos três ou quatro vezes por semana. Já faz alguns anos que vou à mesma esquina só para ver as pessoas transitarem de um lado para um o outro, e de vez em quando vejo acontecimentos épicos que ficam registrados na minha memória de elefante.

Na esquina é onde encontro histórias para conta, escrever e até vivenciar – outro dia eu estava na esquina quando passou um ex aluno meu e gritou olha ali o tio – eu fiquei olhando para os lado procurando o tal tio do rapaz, só lembrei do guri depois que veio falar comigo.  Adoro ver o vai e vem do aglomerando – quer dizer, não é bem aglomerado assim, às vezes não passa ninguém, mas eu estou lá tendo uma conversa com os meus botões. Outra vez passou uma senhora e me comparou com seu neto que havia ido embora para Portugal e há mais de dez anos ela não o via de repente a pobre velhinha começou a chorar e eu nem soube o que dizer para a coitadinha.

É na esquina o ponto de encontro dos amigos, na esquina é que fico pensando sobre os meus personagens quando estou escrevendo, é na esquina que tenho os mais loucos pensamentos. Foi nessa mesma equina que encontrei o grande amor da minha vida e foi lá mesmo que o perdi – na esquina foi onde fiz amizades que duram até hoje e outras nem duram tanto assim, acabaram ali mesmo.

Já perdi a conta de quantas vezes já me perguntaram o que tanto faço na esquina – ah, é difícil falar o que tanto faço na esquina - às vezes nem eu mesmo sei o porquê estou lá, me sinto em casa - ela é pra mim como se fosse um santuário de ideias, um canteiro de inspirações – nunca fui lá para ver as mesmas coisas, talvez naquela esquina haja uma fonte de histórias malucas que eu desconhecia.

Foi na esquina vi casais discutindo um com o outro quase indo aos tapas, já vi uns se beijarem daqui, outros à bordoadas dali, já ouvi conversas confidenciais de duas amigas iam passando empolgadas e nem notaram a minha presença. Na minha esquina tem de tudo um pouco até pedido de casamento – na brincadeira meu amigo pediu a namorada em casamento e ela sem titubear disse: demorou. Hoje estão casadinhos da Silva.

Antes me preocupava com o que os outros pesavam sobre mim ao me verem na esquina diariamente, isso me incomodava, pois ouvia os mais sarcásticos comentários ao meu respeito por estar na esquina. Já me compararam com doido, garoto de programa, desequilibrado, solitário, estranho, guarda da rua e mais uma série de coisas que não me veio à memória. Na verdade não sei o que pensam, só sei no que eu penso – enquanto eu estou aqui escrevendo deve estar acontecendo alguma coisa nova por lá - eu vim só escrever esta crônica, vou dá mais uma espiadinha e já volto.

 

Kerley Carvalhedo

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