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Uma casinha de outro tempo - Luciane Marangon Della Flora

 

Houve um tempo que construíamos casinhas de tijolos. Era tudo tão simples. Bastava colocarmos um tijolo ao lado do outro e o teto estava bem ali, sobre nossas cabeças. O céu tinha a cor e a imensidão exata dos nossos sonhos. Tudo era tão claro. Inexistia a necessidade de portas e janelas. A liberdade estava ao nosso alcance, exatamente em toda parte. Era nos permitido sairmos e voltarmos o momento que bem entendêssemos e o céu, fora do nosso alcance, ainda simbolizava o exato lugar que queríamos chegar.

O tempo, cuja noção não tínhamos, simplesmente passou e a casinha de tijolos já não era suficiente para nós. Sonhávamos com uma casa maior, com um belo telhado. Construímos, pouco a pouco a nossa humilde casa, sonhando com a claridade das nuvens da nossa saudosa infância. Havíamos crescido e a casa já não podia ser a mesma. Deveria ter portas e janelas, às vezes abertas, outras vezes fechadas para o mundo. Quando a tempestade se aproximava, fechava portas e, também, as janelas. Já não conseguíamos ver a cor do céu. A casa tinha um telhado que, embora fosse construído para proteger, cegava os olhos daquela infância já esquecida quase em sua totalidade.

Já não estávamos mais a sós. Outras pessoas conviviam naquela casa que, embora tivesse todas as cores da alegria, era em tantos momentos cinza, tal qual a vida de quem a construiu. Sentíamos falta daquela casinha da infância. Conseguíamos ver os tijolos naquela época. Agora, nesse tempo, apenas os rebocos mal feitos e tudo que nos faltava. As tempestades desse tempo eram cada vez mais fortes e insistiam em entrar em nossa casa, até que as pessoas que conosco estiveram foram levadas, juntamente com tudo: teto, paredes e o próprio chão. Tudo havia sido destruído. Estávamos à margem da vida.

O frio e a sensação de abandono foram inevitáveis. Já não conseguíamos olhar ao nosso redor, nem sabíamos o que deveria ser feito daquele momento em diante, entretanto, o vento fez com que mudássemos totalmente o rumo. Olhávamos para todos os lados, até que, finalmente, percebemos a liberdade daquela infância e o céu da cor dos nossos sonhos.

Foi então que resolvemos reconstruir a nossa casinha, da maneira mais simples possível, afinal, era o modo mais seguro para sermos felizes outra vez. Concluímos, então, que perder o teto e ter o chão arrancado nem sempre significa algo ruim. Talvez, seja apenas um modo daquela incógnita que alguns chamam de destino encontra para dizer que podemos encarar tudo o que acontece como uma nova chance. Só assim poderemos construir uma vida mais feliz e seguirmos sorrindo, tal como quando éramos criança.

 

luciane

 

Luciane Marangon Della Flora

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