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Mulher gosta de apanhar?

 

Os números são alarmantes, a cada 7,2 segundos uma mulher sofre violência doméstica e aproximadamente 13 mulheres morrem por dia, vítimas de feminicídio e esse número apresenta um aumento de 21% em relação a década passada. Isso sem contar a grande parcela de mulheres que sofrem violência doméstica e são estupradas diariamente, mas não fazem a denúncia. Neste momento, surge o questionamento, por que não denunciam?

Existem várias características que influenciam essas mulheres a não denunciar seus agressores, o que, muitas vezes, faz com que os membros da sociedade, sem saber o que realmente se passa na vida dessas mulheres, questionem o porquê de elas estarem vivendo um relacionamento abusivo onde sofrem agressões constantes. É comum ouvir pessoas mencionarem que algumas mulheres devem “gostar de apanhar”. Entretanto, entre os principais fatores que levam as mulheres a ficarem caladas diante desse tipo de violência está a vergonha, o fato de não confiar na justiça, o medo de perder a guarda dos filhos ou fazê-los sofrer, ficarem desamparadas financeiramente ou, até mesmo o medo de morrer.

O relacionamento abusivo, comumente, não começa com a “porrada”, vai acontecendo aos poucos, uma vítima realmente não se apaixona pelo agressor na forma de um monstro. Um exemplo típico é que “Ela conhece a pessoa que aparenta ser maravilhosa e, aos poucos, porém, ela se afasta dos amigos, o companheiro diz o que pode ou não fazer, controla a roupa, vasculha o celular e, caso não faça algo que o indivíduo quer, se o que fez não sai como ele espera, ele bate”. Infelizmente, isso existe há muito tempo e acontece todos os dias, em todas as classes sociais.

Esse controle causado pelo companheiro, também chamado de ciclo da violência contra a mulher, começa com a violência psicológica, onde a mesma sofre ameaças e ofensas, mas, inicialmente, aceita, pois acredita merecer passar por essas situações. Em seguida, avança para a violência física, intercalando com uma fase chamada lua-de-mel, na qual o agressor dá carinho e atenção à vítima, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar. Porém, como se trata de um ciclo vicioso, a tendência de que as agressões continuem a ocorrer são grandes.

Essa sucessão de acontecimentos também pode levar a resultados mais graves como a morte da vítima. Dados confirmam que, na maioria dos casos em que a mulher acaba falecendo, ela já havia sofrido diversas agressões, as quais, por falta de conhecimento da lei ou medo de denunciar, acarretaram o feminicídio, que é o homicídio de mulheres praticados em razão de violência doméstica ou questão de gênero. O feminicídio está previsto no Código Penal, enquanto uma forma de homicídio qualificado e, portanto, configura um crime hediondo. O Brasil teve 4.473 feminicídios em 2017 (um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior), um dado preocupante que mostra que, além da violência contra a mulher, o feminicídio também vem crescendo no País.

É comum, mulheres vítimas de violência perderem a autoestima, demonstrarem medo de se relacionar com as pessoas e contar o que está acontecendo e, muito, por medo da reação do agressor. E isso tudo, não é por que ela gosta de apanhar e sim, pelo medo. Medo da violência, medo de ficar sozinha sem ter ninguém para lhe apoiar, afinal, é muito difícil se empoderar quando não se sabe “quem você é”.

Muitas vezes, a mulher se vê como o reflexo daquilo que o outro diz e ele diz que “você é fraca, que não merecia estar viva, que deveria estar grata por ele estar do seu lado”. Portanto, o que existe é uma mulher humilhada demais para denunciar, machucada demais para reagir, com medo demais para acusar e, em alguns casos, sem estrutura para ir embora.

Normalmente, no começo de um relacionamento, os batimentos cardíacos acelerados, pupilas dilatadas e bom-humor são alguns dos efeitos da paixão no organismo. Mas, e quando a relação passa a dar espaço para a depressão, baixa autoestima, medo e angústia, vale a pena continuar? Ele diz que ama, mas xinga “por ciúmes”, fala do seu peso e da aparência, se ele não demonstra posse daquilo que é seu, certamente não ama e, assim, a mulher é induzida pela sociedade a acreditar nisso, estimulada a disputas femininas e a alimentar a ideia de que é necessário abrir mão de suas vontades pelo bem-estar familiar, afinal, “uma mulher sábia edifica o seu lar” e o marido busca “na rua o que não tem em casa”. Contudo, muitas situações acabam expondo a mulher a inúmeras formas de violência: patrimonial, moral, sexual, psicológica e física (todas, previstas na Lei Maria da Penha).

Evidencia-se, dessa forma, que relações tóxicas não são naturais, são criminosas. Essas violações são romantizadas na ideia egoísta e criminosa de que a mulher precisa permanecer no relacionamento pelos filhos, pela família, em prol da sociedade, da tradicional família. Até quando vamos naturalizar e individualizar a violência doméstica? Até quando vamos ouvir que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”? É papel do Estado efetivar políticas públicas nesse sentido, buscando com que a mulher, apesar de seus medos, crie coragem e denuncie o agressor, rompendo, assim, com o ciclo da violência.

 

Mulher gosta de apanhar

 

Bruna Romanzini

Mariana Pimentel

Sandielen Villa Cazarotto

 

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