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Sarandi em Fatos - 03/10


Data de publicação: 3 de outubro de 2015
Coluna: José Leal
Colunista: José Leal




 


Tutelar


Os novos cinco conselheiros tutelares de Sarandi serão eleitos no próximo domingo, dia 04 de outubro. Em Sarandi concorrem seis candidatos para cinco vagas. O mandato para o conselho tutelar é de dois anos e em 2015 as eleições são unificadas, em todo o Brasil a escolha ocorre no mesmo dia.


Estão aptas a votar em Sarandi mais de cem representantes de entidades que conformaram a situação regular e indicaram seus representantes legais para a eleição do domingo. Os votos serão depositados na urna que funcionará na Câmara de Vereadores.


Os seis candidatos que concorrem ás cinco vagas são,  Marlene Antunes, Juscilene De Marco, Simone De Marco Machado, Siliandra Perim, Claudiomiro Debastiane e Neiva Tomasi Borba


Leitor


Leitor refere-se a comentário da edição anterior nos tópicos sobre iniciativa  de reduzir salários de vereadores, prefeitos, secretários e diminuir numero de secretarias e discorda do colunista


Quanto a ampliar a iniciativa para entidades associativas, sociais e cooperativistas onde os diretores sejam remunerados. O leitor quer  as respectivas reduções  somente  para cargos politicos.


Transparência


A parir dessa semana a população de Sarandi pode ouvir o áudio de cada  sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Sarandi . Todas as sessões do Legislativo são gravadas e o áudio será disponibilizado para que a população possa ouvir diretamente do site da Câmara Municipal o áudio na íntegra dos pronunciamentos no Grande Expediente, as discussões de projetos e também poderá ouvir em casa ou no trabalho as sessões solene ou extraordinárias. O áudio estará disponível do endereço eletrônicowww.cmsarandi.rs.gor.br. Essa é mais uma medida tomada pelo presidente Lenomar Alves de Jesus dentro do seu projeto de transparência na Câmara Municipal de Sarandi


RS 404


O colunista solicitou ao Daer informações sobre a paralisação das obras de recuperação da RS 404 e obteve a seguinte resposta. “A 17ª Superintendência Regional do Daer (Palmeira das Missões) informa: A empresa Construbrás dividiu os trechos da ERS 404, 406 e 324 em subtrechos afim de priorizar o atendimento nos locais mais necessitados. Ainda hoje a empresa estará executando obra de restauro na ERS-404, no trecho entre Sarandi e Rondinha, nos Km 8,9,10,11 e 12. “


Ciclistas


Um esporte que cresce em adesões em Sarandi, o ciclismo, teve um incentivo a mais esta semana com a aprovação pela Câmara de Vereadores de projeto de autoria do vereador Joaquim Benites que institui a Semana do Ciclismo em Sarandi. Certamente será uma semana intensa pois os ciclistas locais tem sido uma classe de esportistas que mais tem incentivado a pratica desse esporte.


PTB


Semana confusa no PTB de Sarandi. Inicialmente circulou a informação de que a direção local estaria sendo assumida por um grupo de pessoas até então não ligadas ao partido, documento com  possíveis assinaturas de membros do PTB em ata dava poderes para esse grupo assumir a direção da sigla. Dias depois surge a novidade, que não é tão novidade assim. A direção estadual do PTB teria reconduzido á direção da sigla em Sarandi antigos filiados e membros da direção.


Interessante


Reproduzo coluna do jornalista Juremir Machado publicada dia 26 de setembro.  Achei  interessante  o roteiro politico feito pelo jornalista. “Lacerdismo tardio e metamorfoses do golpismo”.


Carlos Lacerda foi o algoz de Getúlio Vargas em 1964 e de João Goulart em 1964. Mas a sua vocação para o golpismo não lhe garantiu a realização do seu maior sonho: chegar à presidência da República. A UDN, partido de direita que o adotou (era bastardo do comunismo), só tomaria o poder pela terceirização, via ditadura militar, adotando o nome de ARENA. Foi o que lhe sobrou. Não era o projeto de todos os udenistas. Foi a aposta de muitos. Lacerda achava que o jogo seria rápido. Há quem pense que a UDN chegou ao poder antes com Jânio Quadros. É mais ou menos como convencer alguns peemedebistas gaúchos de que o PMDB está no poder, de fato, desde que se aliou como Lula e Dilma. Jânio era um cavaleiro solitário de triste figura.


A cavalgadura de Sancho Pança.


Carlos Lacerda, o Corvo, vivia para o golpismo. Ficou famosa a sua tirada sobre a candidatura de Getúlio para a eleição de 1950: “Vargas não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”. Lacerda quase sempre perdia. Jamais admitia. Getúlio foi eleito, tomou posse e tentou governar. Foi acuado com tentativas de golpe de todos os tipos, formatos e fórmulas. Pediu-se a sua renúncia. Tentou-se o seu impeachment.


Getúlio havia cometido crimes hediondos como defender o petróleo brasileiro, criar a Petrobras, elevar o salário mínimo em 100% e aumentar a contribuição patronal para a previdência. Contra ele se ergueu a bandeira moral do combate à corrupção.


Getúlio optou pelo suicídio. Saiu da vida e da história para virar mito.


A história, como dizia Karl Marx, só se repete como farsa. Marx, na verdade, disse que a história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Dá no mesmo. A tragédia é a farsa da repetição da história como algo autêntico.


A UDN foi a tragédia.


Até Lacerda foi trucidado. Não levou a presidência. O poder não lhe caiu no colo. Foi o  Corvo que caiu em desgraça. Perdeu.


A bola da vez agora é Lula. Em 2018, não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar. Se tentar governar, deve ser acuado por tentativas de impeachment e pedidos de renúncia. Se quiser se suicidar, os adversários não lamentarão. Alguns já pediram o mesmo à presidente Dilma Rousseff. Por enquanto, a operação do lacerdismo tardio consiste em tentar evitar que Lula seja candidato à sucessão de Dilma. A prova disso é “Projeto de Emenda Constitucional” protocolado na Câmara de Deputados por Cristina Brasil, filha de Roberto Jefferson, o homem que detonou o escândalo do mensalão. Um Projeto de Emenda Constitucional, nomenclatura que me parece mais pertinente pela natureza dos conteúdos, é uma Proposta de Emenda à Constituição. Como projeto, antecipa o futuro, quase sempre por razões pouco presentes. Como proposta, enfrenta o contraditório. Como realidade, neste caso, é um casuísmo.


A PEC 125/2015, apelidada de PEC anti-Lula, tem um único objetivo: evitar que Lula possa se eleger daqui a três anos e meio.


É um recibo de manobra eleitoreira.


Mostra o medo que a direita tem de perder outra vez para Lula. O texto, que atinge de prefeitos a presidente da República, tem alvo certo. Proíbe a “reeleição por períodos descontinuados para cargos do Executivo”. Ou seja, quem cumpriu seus mandatos, está fora do jogo para sempre. O oportunismo da PEC tem a sutileza de um coice. A justificativa da proposta merece ser estudada em cursos de lógica: “Ademais, um candidato recorrente possui uma vantagem desproporcional e desleal sobre os seus adversários, visto que este já possui um nome e um legado já conhecido pelo povo”. Melhor é não possuir nome nem legado conhecido pelo povo. E se o povo considerar o legado bom? Não pode o povo decidir por conta própria? Ou o povo não sabe escolher e deve ser protegido das suas escolhas irracionais? Deve-se proteger o povo de votar nos outros.


A Europa dá, por outros caminhos, exemplos frutíferos de continuidade.


A rigor, numa democracia, não deveria existir qualquer limitação de mandatos. Quem escolhe é o eleitor. Se ele quer mais do mesmo, bom ou ruim, por que não? A limitação de mandatos é uma forma de dizer que a população não vota racionalmente ou se deixa enganar com facilidade. Não deixa de ser uma modalidade de tutela e de paternalismo. Quem está no poder, gosta de reeleições. Quem não está, quer sempre acabar com elas. Os tucanos, a nova UDN, garantiram por meios pouco republicanos, com valores declarados por deputados réus confessos (que não se tornaram réus de fato por falta de vontade investigativa e punitiva com a turma dos camarotes), a emenda de reeleição que deu a FHC um segundo mandato. Hoje, militam contra a reeleição e devem apoiar a PEC anti-Lula. Um espectro ronda o Brasil. Não é o comunismo. É o lacerdismo tardio.


Como foi que a PSDB, nascido para ser social-democrata, quem sabe um PTB (de antes de 1964) de elite, tornou-se neoliberal e golpista, sucedâneo da UDN e, por extensão, uma mutação da ARENA? O DEM, que foi PFL, metamorfose da ARENA, deve morrer de inveja. O PSDB tomou-lhe as bandeiras e já se apropria também da sua biografia. Do corvo ao vampiro.


Como foi que o PT passou de partido da ética a partido da corrupção?


Só o PMDB não muda.


Conseguiu um modus vivendi com a ditadura.


Ajeitou-se na transição.


Convive com o PT.


FHC bola fórmulas lacerdistas: pacto nacional e depois renúncia de Dilma. Não se envergonha?


Como doutor em sociologia e historiador, especializado em Brasil do século XX, conhecedor da era Vargas e das raízes do golpe de 1964, com livros sobre o assunto, não tenho dúvidas: a tragédia atual é a farsa do golpismo como solução democrática.


Há brasileiros que, por índole monarquista, preferem eleger para o presidencialismo, mas, por tendência histórica golpista e de falta de paciência para esperar o final dos mandatos, preferem derrubar por uma espécie de parlamentarismo de ocasião.


Em 1964, a UDN foi a tragédia (tentativa de repetição de 1954).


Quem é a farsa hoje?


Ganha um bico de ouro quem acertar.


Porto Alegre, 26 de Setembro de 2015



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