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A necessidade de cultivar - Por Luciane Marangon Della Flora


Data de publicação: 4 de março de 2017
Coluna: Luciane Marangon Della Flora
Colunista: Luciane Marangon Della Flora



 


Como você define o ser humano? Essa não é uma questão tão simples como parece. Se pesquisar, encontrará um conceito racional, objetivo e científico para definir a raça humana que é tão estudada ao longo da história. Entretanto, podemos questionar a objetividade e racionalidade de tal conceito. Gosto das metáforas! Creio que elas favorecem a reflexão, não tanto quanto a filosofia, mas em um bom nível. De maneira metafórica, somos muito mais que seres racionais com grande capacidade mental e habilidades múltiplas. Somos uma das essências da vida, tal como a própria terra e, como ela, precisamos de cultivo.


Nascemos com capacidades inatas, é certo, mas precisamos conviver com outros seres da nossa espécie para que possamos crescer interiormente e desenvolver diferentes competências. É nessa convivência que aprendemos a cultivar e somos, também, cultivados.


No entanto, nos dias de hoje, não é qualquer pessoa que tem vocação para a agricultura, para o cultivo. Desse modo, é preciso aprender, pois se não entendemos como está a terra, nem o tempo propício e das técnicas necessárias para cada cultivo, provavelmente, seremos fracassados naquela ação que pretendemos cultivar durante a vida.


A necessidade do cuidado, do cultivo, está em toda parte. Basta pensar nas crianças que estão crescendo, na profissão que escolhemos e na felicidade ou não que temos em segui-la. Tudo é fruto de um cultivo cuidadoso, entretanto, há alguns campos que estão sendo deixado de lado por muitos.


Na correria moderna, buscamos cultivar o sucesso no trabalho, a recompensa financeira, o reconhecimento na sociedade e esquecemo-nos de cultivar o amor aos que realmente importam-se conosco. Estamos sempre ocupados demais, cultivamos tudo e todos durante o dia todo e, quando chegamos ao nosso lar, estamos cansados o suficiente, para não cuidarmos de maneira adequada da nossa real plantação.


Quantas pessoas julgam-se ocupadas demais para um abraço demorado, para um sorriso verdadeiro, afinal, o correr do relógio favorece o pensamento de que algumas coisas podem ficar para outro momento. Dessa maneira, esquecemos que se não regamos as plantas da nossa própria terra estamos, mesmo sem intenção clara, cultivando a morte certa daquilo que poderia transformar-se em uma das maiores colheitas de nossa vida.


É fato que ao deixarmos de cultivar o outro, aquele que conosco convive, haverá o afastamento e a terra, que poderíamos ter cultivado, se tornará arenosa, incapaz de manter-nos felizes e, consequentemente, cultivar-nos.


Confesso que esse texto já havia sido escrito quando encontrei um dizer muito interessante da nossa grande Martha Medeiros, que diz: “Regue as plantas, regue suas relações, regue seu futuro, porque, sem cuidar, nada floresce”. Em outras palavras, poderíamos dizer que cultivar é preciso e, falando nisso, qual seria a sua resposta se lhe perguntassem o que você está cultivando em sua vida?


A resposta não será objetiva, certamente. É na sua subjetividade que encontrarás a relação dos seus cultivos e as perspectivas de como e quais serão suas colheitas.  


Luciane Marangon Della Flora



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