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Entre flores e espinhos - Luciane Marangon Della Flora


Data de publicação: 11 de março de 2017
Coluna: Luciane Marangon Della Flora
Colunista: Luciane Marangon Della Flora



 


              Todas as mulheres nascem com uma missão a cumprir. Acredite você ou não, somos mais do que uma simples matéria. Logicamente, que nem todas as mulheres cumprem o seu caminho como deveriam, afinal, as escolhas que fazemos refletem diretamente em nossa vida, seja no momento presente ou no futuro de nossa existência. Assim, vamos sendo definidas como seres aprendentes e, indiscutivelmente, indispensáveis naquilo que escolhemos ser ou naquilo que somos por natureza.


            Podemos, então, questionar qual seria a missão que as mulheres têm para cumprir nesse vasto e complexo mundo. Seríamos nós, descendentes de Eva, responsáveis pela expulsão de todos do paraíso? Sabemos que, dentre as histórias contadas pela humanidade, não as científicas, obviamente, Eva teria sido a responsável pela perdição de Adão. Ora! Uma simples maçã! Depois disso, Adão e Eva, expulsos do Jardim do Éden, tiveram de enfrentar as dificuldades da sobrevivência humana.


            Seriam, então, as mulheres responsáveis pela perdição do homem? Que carga pesada carregaríamos em nossos ombros se assim fosse.  Talvez, por isso, pela culpa de Eva, temos nós, mulheres, o dom de sermos fortes. E como somos fortes!


Quantas foram as vidas que lutaram durante séculos pelo direito de ser quem são. Pelo direito de expressar seus sentimentos, suas vontades e por terem espaço na sociedade, preconceituosa ao longo dos séculos.  Aliás, você já parou para pensar os motivos que levam tantas mulheres a lutarem por espaço, por reconhecimento na sociedade?


Seria bem mais simples ficarmos envolvidas apenas com o trabalho doméstico, em nossas casas, esperando que alguém trouxesse o sustento. Seria bem mais simples não lutar contra os preconceitos sociais e aceitar tudo como é. Entretanto, a complexidade também nos move.


A mulher é um ser indefinível, pois é capaz de atravessar o mundo em busca de seus ideais. Só ela é capaz de acreditar no amor quando o restante do mundo não mais acredita. Ela é capaz de enxugar as próprias lágrimas, respirar fundo e dar mão ao filho perdido que ninguém mais vê.


Um ser multifacetado e de inúmeras habilidades. Ninguém é tão sentimental como esse ser feminino, que chora, que ri e que acredita no amor de verdade em um mundo movido por mentiras, corrupção e injustiças. Somos a própria fortaleza, não porque assim nascemos, mas pelo fato da vida nos fazer assim. São tantas as mulheres que educam e educaram seus filhos sozinhas, após  enfrentarem abandonos, violência, desilusões e que, ainda assim, conseguem acreditar na vida, expressando sorrisos e seguindo em frente.


Talvez por isso, a flor, tão delicada, ainda seja símbolo desse ser. “Ah! Tão bela como uma flor!” - diria o poeta. Também frágil, sim somos! Afinal, os espinhos que nos machucam em certos momentos, deixam marcas eternas que, podem, pela nossa capacidade, ficar lá, no cantinho do esquecimento, pois, não seguiríamos o nosso caminho levando rancores, desamores e incompreensão. Aprendemos a ser fortes e curar as feridas, caminhando nesse louco mundo, sendo o que somos, indefiníveis e indispensáveis à vida humana.


Jamais a humanidade encontrará outro ser tão digno e tão forte, capaz de caminhar, mesmo quando falta o rumo. Um ser capaz de gerar a vida, mesmo que isso signifique ser verdadeiramente uma mulher com a capacidade de estar entre as flores e os espinhos desse insano e incerto caminho.


Luciane Marangon Della Flora



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