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A crise dos 30 - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 16 de março de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


No próximo mês, uma amiga estará completando 30 anos de idade. A trintona está quase indo à apneia quando o assunto é a idade. Fez até promessas e votos para se casar antes de chegar aos trinta. Mas, casamento que é bom, nada! A ranzinza deveria já ter ficado feliz em chegar à casa dos trinta sendo titia – que não é tão ruim assim. Afinal, é melhor sobrar pra titia do que não sobrar pra nada e nem ninguém. Há inúmeras razões para ser feliz aos trinta, porém chegar aos trinta sem se casar não é uma delas para minha amiga. Acho que ela foi contagiada pela pressão social com esse negócio da idade.


Que você me desculpe se baseia sua vida nessas porcarias que passam na tevê, vou logo dizendo que precisas ir correndo fazer terapia. Saber aceitar cada idade com tranquilidade é uma questão de bom senso e equilíbrio. Mas antes que percas o espírito da coisa – trinta anos não é um número tão assustador assim, – ou é? O que fazer quando chegam os trinta? Talvez essa idade desespere alguns, mas tranquiliza outros. Dizem que os trinta são melhores do que os vintes e poucos. Acho que sim. Porém só terei certeza quando chegar lá; mas enquanto isso, vou refletindo sobre essa idade, com base no que vejo acontecer na vida dos outros.


Aos trinta dá pra fazer melhor as escolhas. Também não tenho certeza, mas ouvi dizer que aos trinta o sexo fica melhor. Com trinta, a gente fica com cara de mais maduro e responsável. Acho que é bobagem pensar assim; no entanto, aparentemente, aos trinta é a hora de pensar em se casar e ter filhos. (Quem quer). Com trinta, parece um fato que a gente quer sair menos, aventurar-se menos. A gente fica mais “caseiro”, – parece que muita coisa perde a graça, até aquelas que você fez aos vinte e nove.


Com trinta, dá impressão de que a gente aprende a se virar sozinho. Troca menos de namorado, melhora o gosto musical, dá preferência ao vinho e apurar melhor o paladar.   Contudo, o mais engraçado é que quando – finalmente - chegam os trinta, pensamos logo nos quarenta, porque os quarenta chegam discretamente, e depois - num estalar de dedos - vêm os 60, 75, 89... 100.


30 é pouco diante do quase nada que conquistei. Ainda não fiz a tão sonhada viagem à Istambul, Bruxelas, Londres, Los Angeles, Índia... Ainda não pulei de asa-delta das cordilheiras, não aprendi a tocar os clássicos de Beethoven, ainda não sei praticar slackline, falta montar meu próprio negócio, e não quebrar. Ainda não publiquei meu romance. Falta eu ler o alcorão, a obra completa de Agatha Christie...


É maravilhoso quando a gente faz quinze, quer dizer dezessete, mas gostei mesmo quando fiz dezoito. Não, foram melhor os vinte e cinco. Esquece! Bom mesmo vai ser quando chegar aos 30!


Kerley Carvalhedo



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