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Os novos Sigmund Freud - Por Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 12 de abril de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


Tem dias que não queremos nada além de um alguém pra desabafar. 
Tem dias que não queríamos ter existido. Sabe aqueles dias em que não deveríamos nem ter saído da cama? Sabe aqueles momentos em que desejamos sumir? Sabe aquelas situações em que nos encontramos aparentemente sem saída, sem respiração, coração saltando pela boca?
Quando esses momentos chegam, a única coisa que queremos é ter alguém pra dividir a nossa dor e um lugar para nos distrairmos. 
O difícil mesmo é irmos à uma visita com o psicólogo, analista, etc. Na maioria das vezes nem precisamos disso. Os novos Freud e divãs estão por aí. Pode ser em qualquer lugar sua análise, basta ter um Freud por perto. 
Há quem diga que não existam pessoas como Freud. 
Mas o próprio Freud disse: “A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras boas. ”
Os novos Freud estão na mesa de um bar, num chá à 


tarde em casa dia de domingo sentado como um amigo. Pode ser num café também. 


Seu Freud pode ser seu (a) cabelereiro. Pode ser aquela sua velha amiga da escola, que você só ver de segunda à sexta-feira, que para ouvir você. 
Seu Freud pode ser sua mãe ou sua vó que mais parecem mais um baú dos teus dramas. Aliás, elas também servem de confessionário. 


Seu Freud pode está naquela ligação do outro lado da linha te ouvindo. Pode está nas salas de bate papos virtuais. 
Seu Freud pode está em qualquer lugar. E no final é só isso que queremos; alguém que nos ouça sem criticar, que não nos ignore quando mais precisamos. Que não nos diga apenas: “isso vai passar”. Mas que diga: “Se lascou! Tu tá ferrado(a), mas vamos resolver isso. ”


Não queremos ser apenas olhados sem ser visto. Falar sem ser entendido. Ser jugado sem ser compreendido. Tocados sem sermos sentidos. Não há solidão pior que não querer dividir esses momentos com alguém e assim nos sentimos cada vez mais sós. 
Queremos um Freud que não abandone a conversa mesmo quando não mais tiver assunto pra continuar. Um Freud que faça questão de sentar ao nosso lado. Um Freud que não nega um abraço. Um Freud que sempre encontre um espaço e um tempo pra nos ouvir sempre que estivermos precisando. Pode ser num banco de 


alguma praça mesmo. Não precisamos deitar num divã pra isso. 
Queremos um Freud que tenha paciência de ouvir e entender o que até nós mesmos não compreendemos. 


Um Freud que sabe esconder nossos desejos e segredos mais íntimos. 
Precisamos de um Freud que não desapareça. Um Freud que manda você criar vergonha na cara e dizer: “Sai dessa! ” 



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