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Delação em família - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 3 de maio de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo




Outro dia me meti numa encrenca com meu sobrinho de quase quatro anos. Ele, que mal sabe do amanhã, começou a compreender uma coisa chamada: chantagem.  Eu, que não tive filhos ainda, sou tio coruja. Me envolvi com a gravidez da minha irmã até o nascimento do Pedro, meu sobrinho, por isso tenho um apego como se fosse um filho, quem tem um sobrinho bem próximo sabe do que estou falando.


 



Essa semana fui à casa da minha irmã visitá-lo e passei um tempinho assistindo vídeos no YouTube ao lado dele. Minha irmã pediu que olhasse o Pedro enquanto ela fosse à farmácia. “Ok, não demora muito”. Dez minutos depois, fui assaltar à geladeira, deixei meu sobrinho em frente ao computador e pah! Encontrei o meu doce preferido: brigadeiro. Pensei, vou pegar só um pouquinho antes que alguém me veja. Assim eu fiz. Quando coloquei na pia a colher que eu havia pegado o brigadeiro, escutei uma voz: “Eu vi, vou contar pra mamãe!” “Você vai contar, Pedro? Eu ia te dar um pouquinho, mas você vai contar, não te dou mais!  Se você não contar eu te dou, tá?” Ele acenou a cabeça em sinal de confirmação.


 


Voltamos para o computador. Minha irmã mal tinha chegado e ele já foi dizendo: “Não fui eu, mamãe! Foi o tio Kerley que comeu o teu doce!” “Da próxima vez não dou mais o doce pra você, tá, Pedro?” “Eu não quero!” – respondeu.


 


Vivenciando essa pequena delação, fiquei aqui imaginando os envolvidos na operação lava-jato; o quanto de chantagens eles tiveram que fazer uns aos outros para não ser alvo da delação premiada? Não deve ser fácil tentar manipular, mentir ou até mesmo tentar apagar provas das encrencas de ministros da casa civil para a Polícia Federal e para a mídia.  


Posso imaginar alguém dizendo:


– Se você falar isso, eu mostro aquele dossiê.


Outro vem e diz:


– Se você me delatar, eu conto o que você fez e ainda tiro seu cargo. O que você prefere?


 


 Fiquei de boquiaberta com o que aconteceu há algumas semanas; a ex-“presidenta” Dilma Rousseff  contou em uma entrevista concedida à Folha.com para a colunista Mônica Bergamo que não se lembra de ter contato ou conhecimento com um dos principais delatores da Operação Lava Jato, Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, que assumiu pagamento de vantagens para PMDB e PT. Ufa! Que coisa, não!


 


 Marcelo Odebrecht e Dilma Rousseff estão pior que eu e meu sobrinho Pedro. A bandalheira que esses dois se meteram continua; porém alguém vai ter que pagar a conta, e, não é de desvio de brigadeiros, não.O meu delator não queria ficar em desvantagem sozinho, comeu o brigadeiro comigo e ainda nos denunciou do mal feito.  Nada tão assustador aconteceu além de termos que lavar a colher suja. 


 


 


Por: Kerley Carvalhedo



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