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Politicamente incorreto - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 10 de maio de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


Transgredir sempre me fascinou. Mas não tudo. Assisti ao filme “versos de um crime” com os atores Daniel Radcliffe que interpreta o poeta Allen Ginsberg e Dane DeHaan,  Lucien. O filme é dirigido por John Krokidas, e se passa em 1944. Baseado em fatos reais, mostra a relação entre os escritores Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs que marcaram sua época. “Destruam o velho e construa o novo” essa expressão é usada para fazer com que eles mudem o clichê para algo esplêndido. Acho o filme uma preciosidade. “versos de um crime” mostra aquele nosso lado transgressor. Aquela coisa de ir contra o correto, de tentar inovar, mesmo que não seja da forma correta ou pelo menos o que aprendemos como correto.


Está cada vez mais difícil desconstruir o velho e construir o novo. Tudo é virou ofensas. Não se pode ter mais opinião formada. Quando alguém se diz do partido A, logo vira nazista, Se declara do partido B, você é Marxista comunista. Faz-se piada de gay é homofóbico, Se faz piada de mulher é machista. Se faz piada de negro é racista. Você está sempre sofrendo por padrões de uma sociedade de extremo conservadorismo de esquerda. Mas o politicamente correto é mesmo correto? O pobre é tratado de maneira vergonhosa em nosso país. Policiais cobram propina para as casas de prostituição funcionar normalmente com garotas de programas menores de idade e nada acontece. O politicamente incorreto não aparece com a cara que se deveria ter. 


Outro dia alguém disse que um político de Brasília deveria ser aplaudido de pé por ser um cara honesto. Onde já se viu isso? Ser honesto não é virtude, é dever. Infelizmente a corrupção no nosso país faz com que as pessoas vejam a honestidade como a grande virtude do momento. Ela não deve ser vista assim, principalmente quando se trata de cargos públicos. É preciso mudar esse cenário. Não é fácil, contudo é necessário para progredirmos.


Nunca tivemos tanta liberdade de expressão como tem hoje, contudo junto à essa onda de liberdade também veio o coitadismo, e é de se impressionar. Não se pode ter opinião formada na internet que logo aparecem aqueles dos quais Umberto Eco já falava: os imbecis. A internet foi a coisa mais democrática que já aconteceu, porém deu voz à uma legião de imbecis que opinam em tudo sem ter um mínimo de conhecimento sobre o assunto. Tudo vira tema e palco de discussão e discórdia. Se alguém publica em sua timeline afirmando que é heterossexual, o mesmo é taxado por meia dúzia o acusando de homofóbico. Diz que é apologia contra a ideologia de gêneros e um monte de mimimi.


         Sou a favor da democracia, mas onde começa o politicamente correto? Será que essa coisa do correto não nos engessa de pensar sobre o que é e o que não deve ser politicamente correto?    


 


Por: Kerley Carvalhedo



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