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Tudo passa... - Luciane Della Flora


Data de publicação: 6 de junho de 2017
Coluna: Luciane Marangon Della Flora
Colunista: Luciane Marangon Della Flora



 


 Aqueles olhos tristes jamais conseguirão enganar os que percebem para além daquilo que aparentemente se vê. A alma que transparece através deles denuncia uma desilusão maior do que um dia pudesse ser pensada, apesar de que as pessoas esperam felicidade e não o contrário. Por um instante, aquele dia derradeiro, deixou-lhe sem chão e quase sem ar.


Ouvir da pessoa com quem convivia algo que jamais pensara e chegar à conclusão de que tudo inexistia, cortou em pedaços aquele forte coração. Daquele momento em diante, pensar que seguiria o restante dos seus dias completamente só quase lhe tirou a vontade de viver. As lágrimas caíram por intermináveis dias e seu semblante já não era mais o mesmo. Infelizmente, havia chegado a hora de aceitar o “xeque-mate” daquela relação e as mudanças de planos para tudo que construiu. O sofrimento era inevitável.


Assim, após a quebra daquele vidro, seria impossível juntar os pedaços e torná-lo existente como já foi um dia. Essa situação de término, de coração despedaçado, infelizmente, não é exclusividade de um único sofredor, afinal, relações verdadeiras, duradouras por existirem sentimentos solidificados e não mera conveniência nessa sociedade, estão cada vez mais raras.


A justificativa ilusória da incessante busca pela felicidade perfeita, negando a certeza de que ela não existe, está, em contrapartida, tornando algumas pessoas fechadas em sua redoma de sofrimentos. Somos seres imperfeitos desde sempre, afinal, nossos antepassados deixaram o Éden e em nosso processo da chamada vivência vamos aprendendo com cada trocar de passo, com cada jogada dessa vida louca. E é através das loucuras da vida que muitos se perdem e, mesmo sem querer fazer com que o outro sofra, acabam destruindo os sonhos de uma alma frágil.


Xeque-mate! Esse vocábulo ainda martela naquele ser de olhos tristes. Haverá ele de enfrentar os dias, enfrentar a chuva, secar as lágrimas e compreender que terá de aprender a ser forte. Encontrará, após um período de recolhimento, outros risos, outros olhos, outras almas e descobrirá algo bem simples, como uma professora querida sempre me dizia:


“Deixe isso de lado! Esquece! Agora pode ser que dói, mas tudo passa, até a uva passa!”


 


Luciane Della Flora



tudo passa tudo passa