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Vai uma faxina aí? - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 14 de junho de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


 Quem me conhece já sabe que estou sempre mudando as coisas de lugar (literalmente). Não suporto ver as coisas do mesmo jeito sempre. No meu local de trabalho (em casa) eu mudo tudo. Mudo quadros de parede, os abajures de um lado para outro. Os livros até parece ciganos de tanto mudar. Os porta retratos estão com fotos novas de tempos em tempos - nada de (para sempre). Cada dia crio uma coisa nova. Mudo algo.



Quem não gosta de abrir mão de coisas inúteis e não gosta de inovar, não sabe o prazer de juntar a montoeira de coisa velhas e jogar no lixo ou doar - nem precisam estar velhas pra gente fazer isso. Outro dia pensei: chegou a hora de mandar para o lixo algumas coisinhas sem serventia que anda ocupando o meus espaço. Sai catando de dentro das gavetas dos armários tudo que era antigo e não fazia sentido nenhum estar ali, cartas que recebi em outra geração em que ainda se escrevia no papel. Sabe aqueles recibos de trocentos anos? Pois é, eu também juntei e foram ao lixo. O pior de tudo foi ter encontrado livro e mais livros que nunca li e nunca irei ler. Também aproveitei para dá uma passada no meu guarda-roupa e retirar peças que parece que eu usei na outra encarnação mandei para a doação.


Depois de toda essa tralha jogada fora ou colocados em lugares diferentes me senti reorganizado por dentro. Se meu analista soubesse disso provavelmente me diria que tenho TOC - e daí putz. Nunca mais o analista me dá alta.


Quando a mudança é externa é difícil desapegar-se das coisas velhas e acumulativas, basta um arrastãozinho para o coração começar a se machucar. Sabe por quê? Porque já estar mal acostumando com a permanência das coisas e qualquer mudança servirá de sofrimento.


É preciso mudar de pensamento, de amor quando não está sendo recíproco. É preciso trocar algumas amizades e substituir os inquilinos, lançar mão de quem te só ocupa espaço e tempo. Esses trapos velhos a gente joga fora e adquire novos. Vale lembrar que permanecer parado é a mesma coisa de ver o tempo passar e não viver. Mudar é um avanço sempre.  Espera aí vou ali só consertar aquele quadro que está torto na minha parede. Já volto.



Kerley Carvalhedo



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