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Bilhete maldito - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 14 de julho de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo




Semana passada encontrei um bilhete no meu portão aparentemente normal, igual aos que o correio entrega, mas não era. Foi escrito a punho com caneta tinteiro. 
O bilhete portava uma mensagem que dizia: 
“Muito obrigado amigo pela força que me deste quando eu mais precisei.” 
Não havia nome, data, nada que especificasse um amigo, nem mesmo a escrita parecia com de alguém que conheço, daí de algo parecido que aconteceu alguns anos atrás. Um dia depois do café da manhã fui até o portão para verificar a caixa do correio se havia alguma correspondência, não encontrei nada, apenas um bilhete com uma frase meio sem sentido. Ignorei. 

Até aí tudo bem. Dia seguinte no mesmo horário fui novamente ao portão fazer o que faço rotineiramente vê se tem correspondências. Lá estava mais um bilhete com uma frase totalmente sem nexo à anterior. Não me preocupei muito com o bilhete, afinal tenho amigos brincalhões que eram capazes de fazer isso para me deixar assustado. No terceiro dia o maldito bilhete estava lá como se alguém quisesse me enlouquecer. Se essa era a finalidade já estava conseguindo – tudo me aflige fácil. 
No quarto dia gelei quando de longe vi o bilhete caído no chão. Imediatamente peguei o telefone e comecei a ligar para os meus amigos engraçadinhos. 

Matheus eu já sei que foi você, pode parar com isso! Do que você está falando?

Alô, Guilherme não adianta negar que eu sei que é você que está fazendo isso.  Isso o quê? Tchau Gui, já sei quem foi. 

Oi João, não estou gostando da brincadeira boba sua, eu sei que é você que estar colocando esses bilhetes malditos para me perturbar.
Você está bem ou tu tá ficando doido? 

Eu estava paranoico mesmo. Comecei a investigação para descobrir o autor/a daquela brincadeira de mau gosto. Chamei alguns amigos e contei o que estava acontecendo, mostrei alguns todos os bilhetes. Tentamos juntá-los para formar algum, porém nenhuma das frases tinha nexo uma com a outra. 

Em resumo da história; foram 21 dias de pura adrenalina ao encontrar aqueles bilhetes infernais. Até hoje não sei exatamente quem foi o verdadeiro autor/a da brincadeira, mas tenho uma pulga atrás da orelha com duas pessoas até hoje. 

A pessoa que fez isso ficou com tanto medo da minha reação que até hoje preservou os direitos autorais da brincadeira. 

O último bilhete foi mais assustador do que os outros. Não havia nada. estava completamente branco. Fiquei ansioso e aflito em querer saber o que será que vinha na manhã seguinte. Não veio nada. 
Só me tranquilizei semanas depois. 

Até hoje não compreendo a finalidade disso; talvez um/a admirador/ que não quisesse se expor. Mas quer saber; eu adoro gente misteriosa. Minha vó já dizia: baú aberto não esconde tesouro. Sou apaixonado por gente misteriosa.
Seja lá quem for seu admirador – sempre desconfie dessas coisas, o mundo está ceio de pessoas cruéis. A beleza das coisas românticas, lindas e sentimentais dão lugar ao medo. Sabe lá se esse admirador/a é um psicopata ou um doente mental da por espécie.


 



 


Kerley Carvalhedo



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