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Separados há quarenta anos - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 3 de agosto de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


Colocar um ponto final em determinadas situações é uma opção, outras vezes é a única opção. Quando e como saber que chegou ao fim? Recentemente fiz uma viagem ao Rio de Janeiro onde passei alguns longos meses estudando roteiro para teatro. Um dia uma amiga me pediu uma carona depois do curso, só que antes sugeriu que parássemos na casa de sua avó Tina para um café. 


Já vi de quase tudo em relacionamento, só ainda não tinha visto um casal separados há quarenta anos em pé de guerra. Dona Tina é uma senhora muito simpática e receptiva. Nos recebeu tão bem que perdemos o horário de retornar ao curso. Dona Tina avó da minha amiga, me serviu um delicioso café com bolo de cenoura e cobertura de chocolate, só de lembrar dá água na boca. Tudo bem, eu sei que fugi um pouco do assunto, mas vamos lá:


Poucos dias antes da nossa visita à casa da Dona Tina, havia completando quarenta anos que ela e seu Gregório estavam separados. Logo depois da separação ele foi morar na casa do lado que compraram quando eles ainda moravam juntos. Desde então nenhum dos dois se casaram novamente, porém não chegaram a um acordo de restabelecer aquilo que um dia foi um casamento perfeito. O motivo da separação não se sabe ao certo. Cada um tem sua própria versão. Os filhos e netos nem ousam cogitar quais dos dois tem razão. 


Seu Gregório propôs morar com dona Tina já que ela ainda continuava cuidando dele. Os dois tomavam café da manhã e almoçavam juntos. Certo dia seu Gregório chegou bem pertinho da do tina e disse: 


- Tina, eu quero morar com você, o que acha? 


- Ok, eu moro! Mas você vai dormir em outro quarto e nada de beijos ou transas tá, Sr. Gregório?


- Se for pra ser assim eu não quero, prefiro morar sozinho mesmo.


Seu Gregório e dona Tina continuam levando a vida desse jeito até se sabe lá quando. 
Amar não significa que ambos estarão juntos para toda a vida. Amar requer renúncia muitas vezes. Pôr um ponto final na história pode ser a escolha certa para seguir em frente. Aceitar que chegou ao fim também é um ato de amor. Tentar consertar aquilo que foi quebrado pode dá certo, outras vezes pode ser ainda pior. A dor é inevitável – contudo necessária e superável. Seguir caminhos diferentes é a alternativa para dar continuidade do que temos de mais precioso: a vida. 


Saber colocar um ponto final é tão importante quanto proseguir. Sei quanto é ridículo romper um relacionamento de anos. Mas ridículo mesmo é fingir que está tudo certo quando tudo o que era certo já acabou. Ninguém merece ficar aprisionado por amor, paixão ou sexo à outra pessoa. Saiba quando usar reticências e aprenda quando é hora de colocar um ponto final. 


Para concluir, li a seguinte frase: "Algumas coisas, uma vez que você as amou, tornam-se suas pra sempre. E, se você tenta deixá-las ir elas dão a volta e retornam pra você, e elas se tornam parte de você... ou destroem você".


 



 


Kerley Carvalhedo


 



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