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A vida é assim - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 24 de novembro de 2017
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


Acabo de assistir o filme “O MELHOR DE MIM” adaptado da obra de Nicholas Sparks. Um filme fascinante pra quem gosta de pensar sobre a paixão, o amor e efemeridade da vida. O filme conta a história de um casal de jovens namorados que planejam suas vidas futura um com o outro, mas por tragédia do acaso tudo muda; Ele vai para a prisão, ela se casa com outro, tem filhos, e é bem sucedida. Muitos anos se passam, ele é solto e mais uma vez o destino dá um jeito para que eles fiquem juntos e, você já deve saber o final dessa história. Fiquei pensando o quão a vida é efêmera e que não temos tanto domínio sobre os acontecimentos ela nos traz.


Ok, vou corrigir; temos sim, um minúsculo controle de certas situações, outras fogem totalmente de nós.


Dia desses eu estava vasculhando algumas gavetas do meu armário e encontrei uma agenda velha com fotografias antigas, bilhetes, cartas e até uma pedra que ganhei de uma ripper na praia, nem lembrava mais. Em meio todos aqueles achados estava uma carta da minha namorada. A carta estava envelhecida, amarelada, mas com as letras bem legíveis.


“Não sei o que será da minha vida sem você!” “Tenha certeza que nunca te esquecerei!” “Você foi o melhor e mais perigoso presente que ganhei.” Estas foram algumas das frases que estavam escritas na carta, de repente me peguei pensando no passado muito distante, embora aquela carta não tivesse nome e nem data, contudo lembro bem do dia em que me trouxeram, suas letras feitas à mão eram inconfundíveis.


Tá, eu confesso que fiquei à toa quando encontrei aquela carta, mas algo dentro de mim me deu um toque; Hello! Já foi... Cai na real, cara! Você está perdendo seu tempo! Realmente estava. Talvez depois de todos esses anos ela não soubesse mais quem sou.  


Pensei, será que...? Não, acho que não foi aquela briga, ou será que foi? Talvez tenha sido as palavras que disse com aquele tom de voz. Será que a gente se amava mesmo? Já sei, acho que tudo acabou por conta daquela viagem que fiz sozinho. E agora como saber? Bom, agora não importa. O importante é que agora tudo já passou e a carta não significa nada mais. Aquele amontoado de palavras era insignificante como qualquer outra coisa esquecida no fundo de uma gaveta empoeirada. Não faziam sentido algum.


Ela? Soube que está casada e já estar no terceiro filho. Acho ela está bem. Espero.


A vida é assim, fazemos planos, cuidamos, lutamos e no final tudo caminha em direção contrária daquilo que queríamos. Nossa tarefa é tentar viver da forma mais intensa possível. Em entrevista ao poeta Ferreira Gullar perguntaram-lhe; qual era o sentido da vida? Sua resposta foi estupenda por ser simples e encantadora; O sentido da vida está no outro. A vida só tem sentido se for vivida para o outro, se não for esse o objetivo da vida, já tornou-se sem sentido o viver.


 



 


Kerley Carvalhedo


 



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