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É tempo de nascer - Luciane M. Della Flora


Data de publicação: 21 de dezembro de 2017
Coluna: Luciane Marangon Della Flora
Colunista: Luciane Marangon Della Flora



 


Lá ia Maria, ansiosa, na incerteza de como seria o momento que iria ficar para todo sempre em sua memória. Um misto de dor e ansiedade tomava conta de cada instante. Cada passo dado, tornava mais próximo um momento único, que jamais poderá ser descrito com exatidão. O sentimento de Maria não pode ser descrito. O sentimento de cada mãe, na hora em que o filho nasce também não pode ser decifrado.


Quando um filho nasce, é chegado, também o momento que muda para sempre a vida daquela mulher que deu a luz. Uma vez que aceitamos o fato de que nos tornamos mãe, de sangue ou de coração, jamais seremos as mesmas pessoas. Nasce um filho, nasce uma fortaleza junto com ele. Assim foi com Maria.


Toda a dor e incerteza daqueles meses de espera despedem-se de nossas vidas no momento que ouvimos o primeiro choro daquele ser tão frágil e dependente do nosso afago. Assim foi no tempo de Maria e também é em nossos dias. O nascimento é apenas o começo de uma longa jornada daqueles que escolhem frutificar a vida.


Os dias que sucedem nem sempre serão fáceis e as alegrias não estarão presentes todos os dias. Os filhos vão crescendo e tudo vai se modificando. As escolhas sempre serão feitas e as consequências, sejam elas boas ou nem tanto, serão colhidas. A colheita é necessária, assim como o amadurecimento de todo ser humano. Que bom se bastasse nascer para a vida! Entretanto, é preciso viver e crescer a cada dia. O crescimento de um ser, por vezes, torna-se um processo doloroso, muito mais aquilo que sentimos quando ralávamos os joelhos em uma infância por vezes distante. Maria também chorou muito, por qual motivo não choraríamos nós?


Nascemos novamente a cada dia. Assim tem sido. Somos frutos de uma escolha feita por nossos pais, seja ela voluntária ou não. Estamos nesse mundo e passamos por ele de maneira tão fugaz que é incoerente esperar o Natal para perceber que o caminho segue em cada passo. Se pararmos no caminho, o nascimento será prejudicado.


Assim seguiu Maria, naquele santo tempo. Depois que Ele nasceu nada mais foi igual. O mundo jamais foi o mesmo. Nós, nesses tempos difíceis, seguimos, sedentos de fé, nessa inconstante jornada rumo ao que acreditamos ser necessário para nossa passageira e peregrina vida. Que nesse tempo, nasçam sorrisos, alegrias e muita paz para enfrentarmos a vida que não espera, mas a vida que exige aprendizados constantes.


 



 


Luciane M. Della Flora


 



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