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Deseje ao outro e terá para si - Luciane M. Della Flora


Data de publicação: 10 de janeiro de 2018
Coluna: Luciane Marangon Della Flora
Colunista: Luciane Marangon Della Flora



 


A vida é implacável em certas coisas. Certeira, dá sempre tempo para que as pessoas repensem seus desejos mais profundos, afinal, eles serão realizados, mais cedo ou mais tarde.


Esquecendo-se de que a vida é passageira, sofrendo as dores das amarras de mágoas passadas, por vezes, o ser humano deseja que o outro sinta exatamente a profundidade de sua dor e nessa passagem feroz de sua existência, acaba caminhando rumo ao amadurecimento.


Passo a passo, costumamos esperar demais daqueles com quem convivemos e esquecemos, por muitas vezes, de olhar o que realmente somos enquanto seres humanos. Imperfeitos, assim seríamos bem definidos. Crescemos a cada dia e amadurecemos em cada olhar que temos de enfrentar e decifrar.


Os enfrentamentos, que não vêm e nunca virão solitários, frutificam desejos inimagináveis, dependendo do olhar que temos para cada momento vivido nessa vida. Olhe a vida como uma dádiva e terá dias mais brandos. Olhe a vida como injusta e as injustiças caminharão ao seu lado.


Há muitos que afirmam que a lei do retorno é certa. Posso afirmar que essa lei certamente existe, inclusive para nós mesmos. Às vezes, mesmo sem intenção clara, devido aos sofrimentos e mágoas guardadas, desejamos que aquele nos feriu sinta a mesma dor que nos causou. Entretanto, certos desejos são desnecessários, pois apenas fazem mal àquele que deseja. Os sentimentos de cólera acabarão por envenenar-nos e, talvez, tal envenenamento de sentimentos seja condizente com tantos mundinhos depressivos.


Interpretações equivocadas que fazemos de cada instante são, assim, perigosas. Se soubermos olhar para frente encontraremos a luz, entretanto, se as sombras do passado atingirem o presente, o semblante que deixará de sorrir não será o do outro, será o próprio. Ninguém além de nós mesmos é responsável pela felicidade de existir.


É impossível ser feliz e alegre com a destruição do outro, portanto, parafraseando dizeres conhecidos de nosso meio, é preferível desejar o bem ao próximo, assim o próprio bem irá nos acompanhar, caso contrário, não haverá antidepressivo capaz de fazer retornar o sorriso que podemos perder pelo caminho, aquele de enfretamento e decepções constantes. O outro, apenas continuará sendo o outro e enfrentará o resultado de suas próprias vivências. Fato é que ninguém viverá por nós mesmos. Somos responsáveis pelo brilho ou pela escuridão do nosso próprio olhar. 


 



 


Luciane M. Della Flora


 



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