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A Caixa - Kerley Carvalhedo


Data de publicação: 7 de fevereiro de 2018
Coluna: Kerley Carvalhedo
Colunista: Kerley Carvalhedo



 


Aconteceu na Argentina. Era uma tarde de sábado, eu estava conversando com um amigo num café quando duas senhoritas sentadas à mesa ao lado falavam sobre a caixa. Como qualquer bom ouvinte de história, eu parei a minha conversa para ouvir exatamente do que se tratava. O assunto continuou:


— Berenice, eu não consigo lembrar com quem a mamãe deixou a caixa.


— Mas, Cesária é impossível saber o paradeiro, já que a última vez que ouvi falar dessa caixa, era que estava com a tia Firmina, e depois que ela faleceu como a gente vai sabe? A mamãe poderia nos ajudar, se não fosse o Alzheimer, coitada, ela mal lembra o próprio nome.    


A senhora mais velha buscou o óculos na bolsa, checou a agenda do celular e ligou:


— Alô? Tia Ofélia, tudo bem? É a Berenice... Estou ligando pra senhora, pois eu queria saber sobre aquela história da caixa que você, mamãe e tia Firmina...


— Vai pra puta que te pariu! Não me ligue mais! PIIIIIIIHHHH


De repente a senhora enrubesceu o rosto e pôs o celular na bolsa, voltando a comentar sobre a maldita caixa. Dessa vez quem queria saber o que tinha lá era eu. A outra senhora demostrava preocupação, parecia buscar em sua memória algum vestígio de onde pudesse encontrá-la. Eu tinha certeza absoluta que o papel que estava sobre a mesa era o testamento, quase que pedi pra ler.


Mudei de lugar na intenção de ficar mais perto para ouvir melhor aquelas duas senhoras que atentamente levantavam as informações, prestes a revelar o segredo. Não sei se eu queria contribuir com a minha singela ajuda ou só apenas saber o que havia dentro da caixa. Johnny, o meu amigo, resolveu que voltaríamos à Porto Alegre ainda naquele dia. Só não antes que eu pudesse desvendar o mistério. “Tá eu volto, mas primeiro quero saber o que tinha dentro da droga daquela caixa.”


Levantei e fui em direção à mesa das duas senhoras para pergunta-lhes se precisavam de um detetive, queria ter ido até o fim, mas travei no meio do caminho. Voltei desconsertadamente, minha vontade era pegar na mão delas e dizer: “vamos agora saber o que tinha dentro da droga daquela caixa”. Perceberam que falavam alto demais, rapidamente pediram a conta e foram embora.  


Queridas senhoritas argentinas, desculpa quase revelar o segredo de vocês assim, no meio do jornal, contudo se já tiverem encontrado a misteriosa caixa, me mandem um e-mail me avisando, por favor. Obrigado.  


 



 


Kerley Carvalhedo


 



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