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Crônica - O mundo dos teus olhos

001212loadViver bem em PORTO ALEGRE exige planejar a solução de problemas. Por exemplo: resolver apenas um por dia. Ou dois: um de manhã e um de tarde. Se o cidadão tentar resolver três problemas ou mais, irá sofrer muito. Ontem, eu estava entusiasmado. Decidi acelerar e colocar a agenda em dia. No meio da tarde, antes do lanche, fui a uma empresa que expede livros, revistas, cartas ... Eu estava com muita pressa. Queria, ainda, ir em vários lugares. Logo que saí da garagem, minha agenda começou a fracassar. Moradores de uma Vila trancaram a Avenida. Parece que queriam uma lata de tinta... Alguns enxergam uma Cidade democrática. Qualquer um pode trancar qualquer rua! Parece que a Constituição Federal não é ensinada nas Escolas. Milhares de pessoas presas no trânsito, sem poder voltar para casa ... com o direito de ir e vir desrespeitado ... Sinceramente, eu não consigo ver democracia nisso. Nem educação. Nem cidadania.

Deixei o auto num posto de gasolina. Fui correndo pelas ruas, com o envelope do dia. Era ainda cedo para desistir. No caminho, há uma sinaleira. Fica muito tempo verde para as máquinas. E alguns segundos para os humanos. Quando ela abre para estes, “salve-se quem puder!” Cai pacote, sacola, pipoca ... Algumas mães quase arrancam os braços dos filhos! Eu deixei o boné cair, no meio da avenida. Voltei para pegar. Foi um erro! Por pouco não amassei a lataria de uma viatura. Vários motoristas citaram a senhora minha genitora ... Se eu fosse o Xerife, planejaria uma Capital ... para os humanos.

Ao chegar na agência, fiquei alegre ao perceber que não havia fila. Isso acontece uma vez por ano! Minha alegria durou pouco. Nenhum Colaborador me chamava.

Devia haver um motivo muito forte. E havia! Uma caixa misteriosa, quadrada, de 50 cm de lado, estava sobre o balcão. Todos estavam trabalhando para expedir a caixa. Faz parte da profissão. Conversavam sem parar sobre a Comadre. A gerente indagou ao Cliente: “Como vai a Comadre? Ela melhorou?” Recebeu como resposta: “Ela piorou. Está no Hospital.” E as filhas dela, onde estão?” O rapaz respondeu: “Longe, viajando.” Um colaborador quis saber se a obra já estava pronta. O Cliente opinou: “Não vai dar tempo de terminar o livro ... “

Eu, meio curioso, já não via mais o tempo passar. Formou-se longa fila. Uma idosa, que estava atrás de mim, com jeito de italiana, tipo braba, indagou: “ Por que eles não mandam a caixa?” Eu respondi: “Desde que cheguei, eles viram a caixa, carimbam, desviram, colocam fita, viram , escrevem, colocam mais fita, perguntam sobre a Comadre ... “ Ela continuou: “Mas o que será que tem dentro?” Eu respondi: “Mandaram chamar um Padre para benzer a caixa.” A idosa não se conteve: “PORCA PIPA!” É incrível: conseguiram quebrar o carimbo! A Gerente mandou buscar outro. Por um lado é engraçado. Por outro lado é triste. Decidi desabafar com a amiga da fila: “No Quartel, os militares, quando trabalham, conversam, apenas, assuntos de serviço. Evita acidentes. Aumenta a produtividade. Não existe carreira militar sem disciplina ... e método de trabalho.” Ela acrescentou: “Olha só quanta gente na fila! Poderiam estar fazendo tanta coisa!” Os Colaboradores nos ouviram. Não gostaram.

Uma Colaboradora de olhos azuis me chamou. Fez-me algumas perguntas. “Por que o senhor está nesta fila dos Clientes Especiais?” Respondi: “Eu sou SENIOR!” Ela comentou: “A nossa Agência não trabalha com a categoria SENIOR! ... O senhor se auto declara idoso?” Fiz a minha defesa: “DEUS me livre! Sou um jovem de espírito!” A moça continuou: “O senhor tem alguma patologia?” Respondi: “Tenho. Artrose no joelho. Necessito de bengala para andar.” A moça indagou: “Mas eu não vi a bengala. Onde ela está?” Esclareci: “Minha sogra colocou a bengala na mala, por engano. Voltará só no Natal!” A Colaboradora era muito interessada: “Por que não foi na UPA?” Respondi: “Eu fui. Mas não havia médico dentro. Não era época de eleições!” Continuou a fazer o meu prontuário: “O senhor fez prótese?” Respondi: “Sim. Piorei. A prótese estava vencida desde 1999!” Continuou: “Falou com o Prefeito?” Eu respondi: “ Não! Ele estava em PARIS!”

A moça dos olhos azuis prosseguiu: “O senhor tem algum amigo no núcleo duro do Governo?” Respondi: “Mas nem quero! Se o general descobre algum Militar envolvido com política ... manda jogar no mar!” Continuou: “O senhor se auto declara cliente do BUQUE ROSA?” Respondi: “Não! Isso é proibido! O Regulamento não permite!” Prosseguiu: “O senhor é cliente da LAVA JATO?” Esclareci: “Não! Da LAVA JATO não! Eu trabalho só com o posto de gasolina do BALDI!” Naquela altura, eu já tinha quase certeza de que seria preso... Não é pessimismo. É intuição. Sendo filmado por duas câmeras ... E olha que, em princípio, eu me auto declaro do bem. Eu só quero mandar uma revista! E estou louco de pressa! Parece que a Colaboradora Misteriosa leu o meu pensamento: “O que o senhor está remetendo neste envelope?” Procurei esclarecer logo: “Uma Revista VERDE OLIVA, editada pelo  EXÉRCITO!” Ela continuou: “Quem é o destinatário?” Respondi: “É um jogador de futebol, o HUGO DO PANDEIRO. A senhora não precisa se preocupar ... Ele não está envolvido com o NOTE BUQUE ROSA!”

Eu já estava começando a entender  aquele episódio ... de inteligência emocional. Mas eu queria uma prova! Disse para a jovem, de singular beleza: “Nós estamos falando, há meia hora, sobre a Comadre. Eu trabalho como Escritor. Preciso muito saber ... quem é ela!” Foi com lágrimas nos olhos, que a jovem me contou um segredo: “A Comadre é uma brilhante Professora. Ensinou-me a escrever. Está doente. Houve metástase. O mal se espalhou. Fez um pedido: quer ver, nos últimos dias, as fotografias dos filhos... Talvez ainda dê tempo! Os álbuns estão naquela caixa... que o Padre benzeu. O filho dela quer mandar razões para viver. Os ex-alunos  querem mandar um milagre!

Hoje de manhã, chegou uma carta da Professora. Preste atenção! Ela quer ensinar a viver, até o fim:

‘Procure alguém que coloque DEUS na sua vida.

Você pode até viver sem Ele,

mas andará de mãos dadas com um grande vazio.

Procure alguém que coloque a música no seu caminho.

Você pode até viver sem ela,

Mas vai se arrepender depois ... ‘

A Colaboradora da Agência continuou: “O senhor está sempre com pressa. Não percebe que a pressa tem limite. Quando o homem perde a batalha da vida, a pressa perde o sentido. Quando a Professora veio aqui, o senhor não falou com ela. Quem sabe se colocar no lugar do outro encontra motivos para perdoar. O senhor vê uma caixa sobre o balcão. Eu vejo razões para viver. O senhor vê um livro. Eu vejo um novo amanhã. O senhor vê uma revista. Eu vejo a esperança. O senhor vê uma carta. Eu vejo uma história de amor. O senhor vê uma Comadre. Eu vejo a melhor Professora da minha vida. O senhor espera ser atendido logo. Os alunos da Professora MARIA esperam por um milagre!

Os nomes e agradecimentos são importantes. Quem foi que disse que o ingrato não receberá ingratidão? Se precisar chorar, chore de emoção, como eu chorei nesta tarde de inverno. Mas nunca mais chore as dores da ingratidão. Ela é uma arma. Usada por infelizes. A Madre Tereza de CALCUTÁ ensinou que “NO FUNDO, É TUDO ENTRE EU E DEUS!”

Alegre por ouvir palavras tão belas, exclamei, já no caminho da porta de vidro: “Você tem razão! Nunca vi tanta nobreza! Amanhã, voltarei!”

            Ela perguntou: “Para mandar um livro?”

            Respondi: “Não! Para ver o mundo com os teus olhos!”

            CLAUDIO FREDERICO VOGT – Coronel do Exército Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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