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Primeira criança nascida no acampamento da Fazenda Anonni volta ao país e perpassa os olhos sobre o Movimento

O FILHO DA TERRA

Primeira criança nascida no acampamento da Fazenda Anonni volta ao país e perpassa os olhos sobre o Movimento. Para ele a formação que buscou tem tudo a ver com o MST e luta pela Reforma Agrária.

tiaraju

Tiaraju, nome de guerreiro, defensor da terra e do ideal de seu povo.

Marcos Tiaraju Correia da Silva, filho de guerreiros.

Filho de Rose.

De Roseli Correia da Silva e José Correia da Silva, militantes da luta pela terra no Brasil, ela morta em 31 de março de 1987 em uma manifestação de agricultores realizada em Sarandi quando um caminhão desgovernado atingiu o movimento.

Três mortos, vários feridos.

Acidente?

Assassinato?

Rose morreu.

Rose não pode continuar até o fim da luta e nem teve a terra sonhada, mas teve filhos e teve sonhos.

Para o guerreiro Tiaraju, nomeado símbolo do Movimento Sem Terra por ser a primeira criança a nascer debaixo da lona preta no acampamento da Fazenda Anonni em 1º de novembro de 1985, Rose tinha sonhos, assim como tinha para os outros dois filhos mais velhos que Tiaraju. Rose sonhava para que a luta pela conquista da terra não fosse em vão; sonhava com um futuro melhor do que aquele que deixara naquele 31 de março aos vinte e sete anos.

Como a mãe, Tiaraju também lutara. Vinte e cinco anos depois da morte de Rose o Filho da Terra retorna ao Brasil depois de cursar seis anos de medicina em Cuba e nos fala da conquista pela terra, do ideal de lutar pelo que é seu e de seu povo, da contribuição aos seus e à sociedade brasileira.

Acompanhe!

Que mudanças percebe no Movimento Sem Terra de quando saiu para quando voltou ao Brasil?

Faz pouco tempo que regressei (menos de três semanas) e nesse tempo ainda não consegui ter nenhum contato prático com atividades do Movimento, não consegui desenvolver nenhuma atividade em conjunto, não consegui ter nenhum contato com os companheiros que aqui ficaram quando eu fui pra Cuba e, portanto, é difícil depois de seis anos e meio ficar longe do país, longe da luta, longe do Movimento e já ter uma conclusão de como é que está o Movimento atualmente.

Porém, mesmo não estando aqui, dá para ter uma ideia geral de que é impossível que seja o grande movimento que começou na década de oitenta, até porque a época que o Movimento surge é uma época de ascensão de massas no Brasil; existia uma grande massa de trabalhadores rurais que dependia de viver no campo, mas ao mesmo tempo não tinha acesso a terra. Toda essa massa de povo decidiu se organizar naquela época de fervor de luta no Brasil e então o Movimento nasce com uma base muito grande; nasce na linha de mudança do Brasil, na linha de construção de Reforma Agrária, de importantes reformas no Brasil.

Ao longo do tempo o Movimento foi tendo a compreensão de que deveria existir um conceito mais amplo do que só o acesso a terra, que a Reforma Agrária não era só divisão de terra no Brasil, era acesso àmelhoria pra que o camponês permanecesse no campo, pra que a família trabalhasse ali; os jovens crescessem no campo, conseguissem se desenvolver, que não ficassem atrasados em comparação aos da cidade em relação ao acesso ao estudo, ao conhecimento.

A ideia foi se transformando, foi amadurecendo e o Movimento foi compreendendo também que ser Sem Terra não deveria só ser uma condição social, mas que ser Sem Terra deveria ser uma identidade social. Ser Sem Terra deveria ser um modo de se viver, um novo modo de pensar a sociedade, inclusive se falava que era a partir da terra, a partir da Reforma Agrária se construiria uma nova sociedade. Uma sociedade mais justa, que beneficiasse os pequenos do campo que até então não vinham sendo beneficiados, que propiciasse educação pro povo da cidade, que propiciasse alimentos de qualidade produzidos por aqueles do campo que viesse a alimentar o pessoal da cidade, enfim, o movimento foi amadurecendo e de fato compreendendo que aquela luta era apenas o início da ideia de uma nova sociedade.

Seria a politização do movimento?

Com certeza. Quando se fala em politização é importante entender essa palavra não no sentido político-partidário porque o MST é um movimento social de trabalhadores rurais e não é um partido político, não disputa eleições. É um movimento que ao mesmo tempo em que é social é político. O movimento é político no sentido de que amadureceu e compreendeu que só ter acesso a terra não era importante, mas compreendeu que a verdadeira política seria o povo organizado, seria o povo lutando, seria o povo amadurecendo com a luta e com cada experiência de luta reflexionando e preparando a luta seguinte. Isso é uma forma de fazer política que hoje no Brasil não se compreende, se pensa que política é só campanha, é só eleição, é só partido político, que política é candidato e tal.

Na verdade política é muito mais do que isso. Política é tudo aquilo que se faz no dia a dia dentro de uma sociedade, dentro de uma pólis – isso é política! Nós somos políticos todos os dias; cada indivíduo que vive na sociedade é um indivíduo político porque ele faz parte dessa sociedade.

Vinculou-se muito o movimento ao Partido dos Trabalhadores. Isso foi positivo ou não?

Quando o movimento surgiu era uma época de efervescência e existia um sistema predominante de direita, conservador e, de fato, aqueles que se foram opondo a esse sistema foram se identificando como de esquerda e aí, dentro dessa linha, estava o pessoal urbano, por exemplo, o sindicato, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), enfim, do ponto de vista partidário foi surgindo e tomando força o Partido dos Trabalhadores.

Começou com um metalúrgico, o Lula. Um metalúrgico também da classe pobre, da classe menos favorecida, se fundou o partido e começou a se desenvolver. O PT acabou entendendo que a luta pela Reforma Agrária, pelo acesso a terra era uma luta importante e, portanto, se identificou que a luta do campo era a mesma luta da cidade. Uma luta foi se identificando com a outra e compreendendo que tudo fazia parte do mesmo.

Se isso foi positivo ou não foi positivo tem que ser analisado de acordo com o seu momento. Nesse primeiro momento onde a luta está surgindo, onde se está organizando, tanto na cidade quanto no campo, com certeza foi muito positivo porque era uma maneira da luta se sentir mais massificada, de ter mais povo, de ter voz tanto no meio urbano como no meio rural.

Não foi só o MST que compreendeu que a existência do PT era importante, o conjunto da esquerda brasileira, na sua maioria, compreendia que era importante ter acesso ao poder, era importante tomar o poder. Aí se compreendia que uma das formas de tomar o poder ou era através de uma revolução ou através da política partidária.

A igreja naquela época, a chamada Igreja Progressista, entrou de cabeça no apoio ao MST. Hoje se vê certo afastamento da igreja do Movimento, o que teria causado isso?

A Igreja Católica sempre teve duas divisões e, talvez, na época que surge o Movimento existia mais força dentro da igreja esse grupo mais progressista, esse grupo que queria ajudar mais no desenvolvimento social. Não sei o que aconteceu dentro da igreja depois que essa ala progressista foi perdendo força, enfim, foi se desmembrando e acabou se desligando um pouco do MST. Mas também é importante dizer que a luta dessa ala progressista da Igreja não deixou de acontecer até porque hoje no Brasil existe a comissão Pastoral da Terra que está ligada aos movimentos do campo, defendendo os direitos dos trabalhadores do campo com a sua própria organização.

Acredito que outro elemento que também tenha contribuído para o afastamento da Igreja do Movimento foi que no início a ala mais progressista da Igreja foi auxiliando pra que aqueles agricultores começassem a caminhar, começassem a entender como era se organizar, por que era importante lutar, enfim, a partir do momento em que deixaram de engatinhar e começaram a caminhar talvez se compreendeu que era importante deixar que caminhassem com suas próprias pernas e aí é onde o Movimento começa a se politizar e compreender que de fato a luta não era uma luta messiânica que era uma luta mais politizada e que se o Movimento quisesse crescer teria que caminhar com suas pernas e traçar os seus rumos, traçar as suas metas, pensar as suas estratégias políticas e se organizar.

O Movimento Sem Terra produziu os seus próprios pensadores, produziu os seus próprios idealizadores. Já não existia a necessidade dos pensadores da igreja mais progressista se manterem pensando por aquele movimento até porque se seguirem o exemplo de Cristo, Cristo fez isso, ensinava pra que depois as pessoas caminhassem com suas próprias pernas. Então acredito que foi importante esse papel da ala progressista da Igreja no sentido de ensinar os trabalhadores a se organizar para que começassem a caminhar.

De 1984 pra cá com tanta marcha, com tanta luta, com tanta invasão, tanta ocupação, citando como exemplo a própria Fazenda Anonni, o Movimento tem alcançado os objetivos?

DSC00086Se analisarmos o objetivo do Movimento em lutar para redistribuir a terra do Brasil pra aqueles que realmente necessitam, esse objetivo ainda não foi alcançado. Ainda falta fazer muito mais, porém não dá para deixar de reconhecer que a conquista dequase meio milhão de famílias que tiveram acesso a terra foi importante sim.

Analisando a luta pela Reforma Agrária, a educação, a luta pela saúde, a luta pela moradia também esse quase meio milhão de famílias em partes teve acesso a isso, mas também de forma muito precária. Muitas vezes o crédito não chegou, ou chegou atrasado; muitas vezes a moradia não é de qualidade; muitas vezes lá no assentamento falta escola pra criançada estudar; o assentamento é, muitas vezes, distante da cidade, então não tem escola no assentamento e a gurizada, muitas vezes, se quiser estudar tem que andar muito longe pra ir na escola na cidade, acaba estudando em um meio que não é o seu. Se cria no campo, mas depois de quiser continuar estudando deve migrar pra cidade. Então se falarmos nesse sentido tem muita coisa pra se alcançar ainda.

Esperava-se muito do PT com relação ao MST quando assumiu a presidência do Brasil. Assumiu o Lula e agora estamos no governo da Dilma. Dentro desses dois governos do PT a Reforma Agrária avançou dentro do que se esperava?

Se for analisar do ponto de vista imediatista, talvez, sim muita coisa tenha melhorado, mas se for analisar do ponto de vista estrutural, do ponto de vista médio e a longo prazo, de verdade, o governo não conseguiu avançar muito. Na questão da Reforma Agrária que seria necessário que a população permanecesse no campo e ali produzisse alimentos de qualidade e fossem vendidos mais baratos pra cidade, onde os filhos de agricultores ali mesmo estudassem, se mantivessem ali. Isso está muito precário!Não se conseguiu avançar nisso.

O acesso a terra, a criação de novos assentamentos também está muito defasada. Se for analisar naquele governo que era pior para o Movimento Sem Terra, que era o FHC (Fernando Henrique Cardoso), contrariamente se acabou assentando mais famílias e no governo que surgiu da humildade, da esquerda, acabou fazendo menos por aqueles que faziam parte da sua luta. 

Seria por que o movimento diminuiu a pressão?

Num primeiro momento não se deve negar que o Movimento diminuiu a pressão até porque era de se esperar que isso acontecesse porque a esquerda brasileira compreendeu que ao chegar um indivíduo na presidência tudo seria mais fácil. Em um primeiro momento, primeiros dois, três anos, existia uma grande dúvida – inclusive se falava que o governo Lula primeiramente iria resolver muita coisa no canetaço – e depois como o tempo foi passando se viu que não. Começou a se compreender que o governo Lula era um governo em disputa. O Movimento começou a compreender que era necessário ir para a rua marchar, ocupar terra e mostrar para o conjunto da sociedade brasileira que o Lula chegou ao poder, mas a Reforma Agrária ainda não tinha sido feita.

O Movimento Sem Terra é um movimento independente da existência do PT ou da existência do Lula, então não podia ficar parado sem lutar só porque o Lula que veio da classe trabalhadora assumiu o poder. Pra nos é importante que melhore a vida das pessoas que necessitam que a vida melhore. Se o governo em questão não esta resolvendo a necessidade dessas famílias, a gente compreende que tem mais é que ir para a luta mesmo.

Comenta-se que hoje vários acampamentos do MST não são de pessoas que vieram da terra, são de pessoas que ingressaram e foram recrutadas no Movimento para mantê-lo.

As pessoas sempre querem buscar um meio melhorpra poder sobreviver. Na época os pais deles compreenderam que no campo não podiam se viver mais e foram pra cidade, se hoje se compreende que na cidade não dá mais por que que não pode voltar pro campo, por que que não pode fazer o caminho inverso? Ah, é porque na época interessa pro poder dos latifundiários que os pequenos fossem pra cidade, pra que vendessem as suas terras mais baratas, pra que não lutassem por terra no campo e pra quea terra ficasse concentrada nas mãos de 1% da população brasileira.

Os grandes meios de comunicação utilizam o argumento de que a luta do Movimento já não tem mais sentido, que Sem Terras já não existem mais, que camponês não existe mais, que agricultor não existe mais e que, portanto, a luta do Movimento já é uma luta sem sentido e que o MST já perdeu as suas raízes, mas não verdade. Não é assim, porque as raízes do MST era o povo que não tinha acessoa terra e que queria trabalhar na terra, hoje muitas pessoas que vem pro acampamento são oriundos daquilo que foi a raiz do MST. Então são, de certa forma, originários do campo porque os pais deles migraram do campo para cidade. Se eles tiveram direito de migrar pra cidade porque eles não tem o direito de voltar pro campo pra desenvolver uma outra forma de vida? Ou seja, se a gente analisar um pouco não é um argumento que se mantenha por muito tempo.

Acha que o Movimento em algum momento perdeu o diminuiu a ideologia que tinha no início?

Acredito que a ideologia inicial do movimento não foi se perdendo, ela simplesmente foi amadurecendo, ela foi se politizando mais e se foi compreendendo que só a terra não bastava, era necessário, de fato, ser um movimento social, um movimento político que lutasse por outras coisas e não só o acesso a terra.

As formas de luta do Movimento são praticamente as mesmas: a ocupação de terra segue sendo como era em 84, são as marchas como se fazia em 84, são as greves de fome como se fazia em 84, enfim, as formas de luta são muito parecidas com as formas de luta da época.

O entendimento do Movimento do por queé necessário lutar, dos objetivos da luta foram se complementando, foram amadurecendo politicamente, então acredito que não é uma na perda de ideologia inicial, se não é um amadurecimento e é uma compreensão política maior de acordo com a época que foi se vivendo. Naquela época, em 84, era necessário o acesso a terra, depois a época foi passando e se compreendeu que alguns foram assentados tiveram o acesso terra e não conseguiram se desenvolver, Era necessário lutar por outras coisas. Depois que se lutou por isso se compreendeu que só isso não basta, não basta lutar só pela Reforma Agrária pra beneficiar o povo do campo, é necessário lutar pra que sociedade urbana também se transforme, também melhore. Então o Movimento foi amadurecendo, mas isso não quer dizer que se perdeu a ideologia anterior se não que a ideologia anterior foi um pedestal para que a partir dali surgisse uma compreensão mais elevada, mais politizada.

O criação de programas governamentais estão segurando os pequenos
agricultores na terra e alguns estão voltando ao interior. Isso
poderia resultar no fim do MST como movimento agrário?

Hoje se falando em programas de governo pra incentivo no campo, de fato, existem melhorias, inclusive nos assentamentos a gente observa isso com relaçãoa melhoria das casas, talvez o acesso a crédito tem melhorado muito, mas é importante ter o dado em mente de que a população que conseguiu se manter no campo é de menos de 15%. Portanto, por mais que o governo incentive a que esses se mantenham é uma parcela pequena da sociedade brasileira que vive no campo. Do outro lado há uma parcela pequena da sociedade brasileira que domina a metade do território nacional.

O grupo de Sem Terras no Brasil hoje que se identificam com a luta e ainda estão vivendo em baixo da luta preta é grande, são mais ou menos 4 milhões e há esse outro grupo muito maior que a gente espera que algum dia se identifique se não for com a luta pela terra, mas que se identifique com alguma luta social; que a sociedade brasileira tenha um avanço, uma mudança significativa porque ficar dependendo de mudanças estabelecidas pelo governo sem lutar, sem se organizar isso não vai acontecer.

Enquanto essas mudanças da sociedade brasileira não acontecerem o Movimento Sem Terra não vai deixar de existir porque o conceito não é mais somente a luta pela terra, não é mais somente a luta pela Reforma Agrária. O conceito é mais amplo, é a luta pela transformação da sociedade brasileira, é a luta pela melhoria das condições de vida no meio rural, mas também no meio urbano.

Foi pensando em resolver os problemas da sociedade que você buscou o conhecimento fora do país?

Eu tinha a ideia de que queria estudar, que queria buscar o conhecimento no sentido do poder compreender melhor, do entender melhor a sociedade, do poder contribuir com mais qualidade, do poder intervir com mais qualidade, com mais inteligência, mas não tinha ideia do que queria estudar. Eu simplesmente queria contribuir nessa luta, queria contribuir nesse processo de forma mais qualificada. Eu não queria estudar pra entrar no mercado de trabalho, não queria me qualificar pra competir com os demais e fazer parte desse mercado, conquistar meu emprego e ser melhor que os demais. A minha ideia de buscar conhecimento era de contribuir com a luta.

Em 2005 durante uma marcha de Goiânia pra Brasília chegou a proposta por parte da embaixada cubana de que haviam vagas pra estudar na Escola Latino-americana de Medicina. Até esse ano eu nunca havia pensado em ser médico até porque acredito que era difícil pensar ou sonhar com isso analisando o meio de onde eu vim, do meio humilde, pobre, do meio de agricultores. A cabeça na maioria das vezes pensa aonde os pés pisam, então, se eu nasci nesse meio mais relacionado ao campo era difícil que eu almejasse na minha vida ser médico.

Eu pensava, queria buscar o conhecimento, queria estudar, mas nunca havia pensando nisso, mas nesse momento pra analisar se sim ou se não eu pensei nisso. O objetivo é ajudar é buscar o conhecimento, é me qualificar e, de fato, a luta pela terra, a luta pela Reforma Agrária também é uma luta pela vida, é uma luta pela melhoria das condições de vida. O médico se fosse, de fato, aquilo pra que foi pensado também luta pela vida, então eu pensei em que uma coisa tem a ver com a outra e acabei aceitando a proposta e decidi sim estudar medicina em Cuba sem saber se iria gostar do ser médico, sem saber se iria gostar da matéria porque eu nunca tinha tido contato, mas acabei decidindo ir. 

O médico Tiaraju, além da contribuição médica,planeja outro tipo de contribuição para o movimento MST ou outro movimento social talvez ingressando na carreira política?

A luta do MST vem a ter relação com a defesa da saúde pública, vem a ter relação com a defesa da atenção primária de saúde, com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Então, desses pontos de vistas a nossa existência como médicos no meio rural seria importante, a nossa existência no Sistema Único de Saúde seria importante, a nossa existência na atenção primária de saúde seria importante pra ajudar a preencher espaços que estão vagos porque os médicos formados no Brasil não querem trabalhar porque preferem trabalhar em grandes centros.

Analisando do ponto de vista político e compreendendo esse conceito mais amplo do que é ser político, acredito que hoje eu sou um político porque faço parte de um movimento social que é político, que desenvolve uma luta política, que luta por melhorias nas condições de vida da sociedade brasileira, do seu conjunto.

Agora, se for analisar o termo político-partidário, se existe alguma programação, alguma projeção de me converter em algum candidato de algum partido, não cheguei a pensar. Por mais que em muitos lugares existe a visão do Tiaraju como símbolo, acredito que nessa possibilidade (de atuação político-partidária) ainda não se pensou, porque talvez não se tenha visualizado a minha existência como um candidato, como um político partidário, alguém que representasse as lutas do MST na Câmara... Acredito que até esse momento não se pensou, porém não é de se negar que é um a campo que muitas vezes complementou a luta pela terra, onde a bandeira da Reforma Agrária foi defendida no estado.

Hoje não existe essa ideia, pelos menos não na minha cabeça, de ser um candidato e de assumir um papel nesse sentido até porque acabo de me formar como médico, preciso revalidar o diploma aqui no Brasil e gostaria de trabalhar nessa área, de desenvolver aquilo que eu aprendi.Não digo neste momento que assumiria a tarefa até porque nesse momento não é o que eu penso, não é o que eu idealizo e não é o que o MST no seu conjunto idealiza, mas o MST foi evoluindo, foi se transformando e pode que siga evoluindo e pode que siga se transformando ainda mais. Pode que compreenda que em algum momento a política partidária, que ocupar um lugar no parlamento, que ocupar um lugar no Planalto enfim, seja mais importante do que é hoje. Nesse momento teríamos que analisar de acordo com a realidade, de acordo com a necessidade real do movimento e se compreendesse que é importante teríamos que, de fato analisar, mas sempre com os pés no chão.

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Por: Vera Rebonatto e José Leal

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