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Historias de Sarandi - Crônica baseada num fato real."Cizico": Uma lição de vida

Em 1947 na cidade de Sarandi, ao norte do Rio Grande do Sul, havia uma população de 4 a 5 mil pessoas, com muito barro por ocasião das chuvas e poeira demais sem elas, sem água encanada, luz elétrica precária, a maioria das residências eram feitas de madeira inclusive a Escola Santa Gema Galgani de doces lembranças e  dedicadas mestras; de concreto, o pequeno Grupo Escolar Dr. João Carlos Machado, o clube social Harmonia, {seu rival no futebol, meu simpático Ipiranga, que até hoje bate pregos na madeira}, uma enorme igreja que dominava a cidade desde 1928 pelo porte e pelos seus ministros que, em nome de Deus, comandavam e fiscalizavam as principais ações da sociedade local e um cinema em construção; cinema que viria a ser um dos melhores focos de entretenimento, mais o futebol, além do rio Caturetê, alcançável em lépidos e prazerosos dez minutos, para banhos e pescarias e outras brincadeiras mas também local do árduo trabalho de prestativas lavadeiras.

Naquele ano a Brigada Militar transferiu de Passo Fundo para Sarandi o soldado Manuel Assis de Oliveira que pitava longos palheiros, tinha grande paixão por galos de rinha, mas, seu maior prazer estava mesmo nas pescarias de caniço. Homem de pouca cultura, contudo de muita inteligência, perspicácia e senso de humor, logo que tomou conhecimento de que a prefeitura local estava procurando um capataz para comandar o início do calçamento das ruas, rápido inscreveu-se como pretendente e, por qualidades ou por sorte, foi o escolhido. Mas havia um empecilho, pensaram todos: “A Brigada vai te “colocar na rua” assim que souber do “bico” que conseguiste”. Então “Cizico” {este viria a ser seu apelido} argumentou: “Ora, gente! De que modo vou fazer calçamento se não me colocarem na rua?.

Mais tarde, quando novamente interpelado: “Tu vais largar a B.M. pelo calçamento?”. Ele, já revelando uma nascente filosofia, mas, o melhor de tudo, sabendo objetivamente bem o que queria da vida, mastigando seu pingente e fumacento palheiro respondeu pachorramente: “Soldado trabalha com ou sem chuva, mas calçamento não se faz com chão encharcado, então quando chover eu aproveito e vou pescar!”( Artur F. W. Biavatti)

sarandi antigo

sarandi antigo 02

Fotos/Rogerio Machado

Por Artur F. W. Biavatti

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