Cesurg Sarandi
Follow - Liv - G8 Pub
Grossi Combustiveis
Cresol Sarandi
  • Grossi Combustiveis
  • Follow - Liv - G8 Pub
  • Cresol Sarandi
  • Cesurg Sarandi
  • Taura Auto Peças
  • Teloken Engenharia LTDA
  • Casarotto Imóveis
  • Barbearia Da Luz
  • Sicredi
  • Milani Corretora de Seguros
  • X & Cia
  • Drággon Artigos Esportivos
  • Parada Obrigatória Consultoria e Assessoria de Multas de Trânsito
  • Gostinho Della
  • Rômulo De Cezaro
  • Farmácia Nossa Senhora de Fátima
  • Rembecker Estruturas Metálicas
  • Cotrisal
  • Laboratório Sarandi
  • Clínica Estética Vitallitá
  • Signomar Comércio de Bebidas
  • Bortoluzzi Odontologia
  • Barbearia 84
  • Restaurante 4 Ases
  • VS Gráfica Expressa
  • Fornari Advogados Associados
  • Home
  • Notícias
  • Cultura
  • Entrevista: Pesquisador da UPF estuda a imigração de senegaleses no Norte do Estado

Siga nossa página

Entrevista: Pesquisador da UPF estuda a imigração de senegaleses no Norte do Estado

 

Entrevista: Pesquisador da UPF estuda a imigração de senegaleses no Norte do Estado

Professor João Carlos Tedesco recentemente abordou a temática em uma palestra realizada na Instituição

Nos últimos anos a imigração de senegaleses, assim como de outras nacionalidades, para a região norte do Rio Grande do Sul tem sido acompanhada de perto pela sociedade. O processo vendo sendo estudado pelo professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) João Carlos Tedesco. Em recente palestra proferida na Instituição, Tedesco abordou diversos aspectos referentes ao processo de migração. Na entrevista abaixo, ele revela dados obtidos em dezenas de entrevistas realizadas com senegaleses que estão em Passo Fundo. Confira:

 

Assessoria de Imprensa - Quais são as principais mudanças que os senegaleses buscam no Brasil?

João Carlos Tedesco - O processo migratório internacional carrega consigo múltiplos processos, tanto no horizonte subjetivo, quanto mais estrutural, principalmente de fatores econômicos, ambientais, religiosos e políticos. Esses todos são fatores que se reproduzem no tempo e nos variados sujeitos. Os senegaleses pesquisados e que tentam reorganizar suas vidas na região de Passo Fundo revelam uma emigração laboral, ou seja, estão aqui para trabalhar, sustentar as suas famílias, garantir alimento e alguma coisa a mais para os que ficaram, que podem ser esposas e filhos (a quase totalidade dos que emigram são homens), ou, então, seus pais e irmãos. Argumentam a inexistência de trabalho no espaço de origem, remuneração baixa e quase total informalidade nas atividades econômicas. Porém, não dá para esquecer que horizontes simbólicos estão presentes. Sem dinheiro e sem trabalho, dificilmente um senegalês consegue realizar um acordo matrimonial. Então, é necessário emigrar. Se der certo, em termos de trabalho, haverá uma outra possibilidade de realização, ou seja, de ter esposa, constituir família, ter uma identidade social reconhecida, ainda que seja num espaço distante.

 

AI - Ao chegarem aqui eles conseguem realmente alcançar esses objetivos?

JCT - As trajetórias são múltiplas. São poucos os que partem do Senegal e vêm direto a Passo Fundo, a não ser através de processos migratórios constituídos por redes informais (família, parentesco, amizade, interconhecimento local). Muitos deles dinamizam locais variados de imigração; buscam encontrar espaços de trabalho mais garantidos e de resultados favoráveis (permanentes, remuneração, vínculos entre co-nacionais). Por isso que uma das reclamações de empresários que os empregam é que a probabilidade de migrarem de uma empresa e/ou local para outro é muito grande. Segundo entrevistados, há facilidade de localização de trabalhos na região de Passo Fundo, porém, segundo eles, com remuneração baixa, intensa aplicação de esforço físico e totalmente distante de qualificações previamente existentes. A obrigação de enviar dinheiro, em grande parte, ainda que insatisfatória, segundo eles é materializada. Com isso realiza-se um dos grandes objetivos da emigração, mantém-se os vínculos familiares a distância, compensa-se pelo menos em parte a ausência do face-a-face, realiza-se as obrigações e dádivas familiares, a genitorialidade a distância.

 

AI - O senhor citou uma ligação que se criou a partir desse processo migratório entre o Brasil - Equador - Senegal. Essa ligação é apenas da rota feita por eles, ou há outros fatores?

JCT - O processo migratório internacional é um grande negócio antes mesmo do sujeito que emigra pisar no cenário de destino; por isso há muitos agentes, agências (inclusive as oficiais de viagem), territórios específicos escolhidos e que acabam condicionando os que se arriscam nessa empreitada; quem define os sujeitos que quer no seu país e por quanto tempo é ainda o estado-nação com suas legislações, agências etc. Por isso, para conseguir o visto para viajar para o Brasil e/ou permanecer aqui para senegaleses não é tão fácil; logo, há necessidade de vínculos com outros horizontes de mediação; é aí que entram os canais de intermediação constituídos e alimentados pelo tráfico de pessoas, pelas promessas não cumpridas aos imigrantes, pelo calvário e coerções sofridas por vários deles, totalmente submissos aos que prometem auxílio em cenários distantes do Senegal. Histórias do processo migratório de senegaleses para a região de Passo Fundo revelam, para muitos deles, barbáries cometidas, desembolsos financeiros de difícil recuperação nos espaços de destino, riscos de mortes, sofrimentos e sujeições. O tráfico de pessoas, de órgãos humanos, de prostituição, de escravos é muito dinâmico no mundo atual e, os imigrantes, principalmente de países pobres, com pouca informação e intensa necessidade de emigrar, tornam-se os escolhidos por excelência.

 

AI – Com relação aos senegaleses que estão em Passo Fundo, como foi a inclusão deles na sociedade?

JCT - Acredita-se que haja elementos que revelam um certo processo de inserção sem produzir muitos conflitos e tensões, porém, há um longo caminho ainda à percorrer principalmente no horizonte do trabalho, da cultura, do mundo religioso, dos fatores concretos de seu cotidiano como é o caso dos aluguéis (exigências normativas), do interconhecimento (línguas, crenças etc.). Ou seja, está se constituindo na região muito do que já se apresenta em cenários migratórios mais intensos na Europa: expressão do temor da concorrência com os autóctones no mercado de trabalho, empresários preferindo estrangeiros com a intenção de precarizar e maximizar essa força de trabalho, manifestações re-acesas de racismo e de nacionalismo, pré-conceitos em torno da higiene dos locais de moradia, do temor do vírus ebola, etc. Representações preconceituosas e tensões poderão se aprofundar na medida em que o mercado de trabalho se apresentar mais reduzido.

 

AI - Na observação do senhor, os senegaleses têm sido encarados pelos brasileiros como uma mão-de-obra barata que preenche uma lacuna deixada pela falta de interesse dos brasileiros em atuar em determinados segmentos cujo trabalho é mais braçal?

JCT - Em países de maior história das novas imigrações internacionais revela-se a constituição e consolidação de um nicho no mercado de trabalho para os imigrantes; os dados do reduzido índice de desemprego entre imigrantes em relação ao intenso entre os co-nacionais (países em que entre os jovens, os dados revelam até 50% do desemprego) revelam isso. No Brasil, isso ainda está em processo de constituição, principalmente nas atividades braçais, turnos noturnos, atividades insalubres etc., tudo indica que a estrada seja essa. Senegaleses reclamam que há entre eles quem fala três línguas (francês, inglês e espanhol), com especialidades em informática, engenharia eletrônica etc., e, não encontra outra atividade que não seja cortar frangos em turnos noturnos.

 

AI - Em Passo Fundo, um senegalês abriu uma pequena loja que vende variedades. O que isso representa?

JCT - Revela algo interessante. Na verdade, o imigrante é um empreendedor por sua natureza migratória, alguém que busca, que se desafia, que enfrenta riscos, que se predispõe ao risco. A grande questão é que a performance do imigrante na sociedade não é para ser empresário, montar empresa e, sim, ser mão de obra e, de preferência, barata. Se isso acontecer, que seja depois de um bom tempo no país, no local, de ter feito poupança, de se vincular com a sociedade e grupos sociais. O caso de Passo Fundo é interessante, pois há alguns imigrantes que já estão montando pequenas lojas de produtos variados, de serviços (telefonia, internet). É difícil avaliar isso, ambas as atividades empresariais estão buscando otimizar a presença de co-nacionais. A legislação brasileira dificulta em muito a abertura de empresas para estrangeiros e, os mesmos, pelas dificuldades de língua, de informação, dentre outras questões, acabam tendo custos altos de mediação (jurídica, contábil, etc.). Necessário se faz repensar o papel das instituições de assessoria existentes, principalmente as de cunho público, o papel das instituições de ensino superior na região nesse sentido.

 

AI - Como os laços com os familiares são mantidos? Eles pretendem trazer as famílias ou voltar para o Senegal?

JCT - Os laços familiares são fundamentais. Na verdade são os que estão na causa da emigração e que a alimenta. O reagrupamento familiar pressupõe condições legais, de moradia, de trabalho etc., elementos esses de grande dificuldade para os imigrantes. Esse processo só acontece com grande intensidade após alguns anos de inserção do imigrante, da constituição de poupança. Reagrupar implica também em ampliar a desvinculação territorial com os núcleos familiares que permanecem, reduz a possibilidade de cuidar dos pais, aumenta a probabilidade de alteração cultural e religiosa de membros da família etc., então não será uma realidade tão visível ainda em nosso cenário regional.

Tedesco realizou dezenas de entrevistas com senegaleses

126

Foto: Leonardo Andreoli

 

DiárioRS

CLIQUE AQUIcurta a Fan Page do site e fique por dentro das notícias da região.

CLIQUE AQUI, curta a Fan Page do site e fique informado sobre as notícias da região.

O DiárioRS não se responsabiliza pelo uso indevido dos comentários para quaisquer que sejam os fins, feito por qualquer usuário, sendo de inteira responsabilidade desse, as eventuais lesões a direito próprio ou de terceiros, causadas ou não por este uso inadequado.

  • SCT Construtora e Incorporadora LTDA
  • Estação Fitness
  • Drago Restaurante e Pizzaria
  • Revista Spelho
  • Vimesq
  • Eficaz
  • Confecções Helenice