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Cobertura mamográfica é a menor dos últimos cinco anos

 

Rio Grande do Sul ocupa o 8º lugar no ranking de cobertura nacional, um percentual de cobertura de 26,2%, muito abaixo dos 70% recomendado pela OMS

O percentual de cobertura mamográfica de 2017 nas mulheres da faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o menor dos últimos cinco anos. Os dados foram divulgados pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia. O oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN) de Passo Fundo/RS, Dr. Alvaro Machado, comenta os resultados do estudo e salienta que a situação é preocupante, uma vez que a mamografia é a principal forma de diagnóstico precoce do câncer de mama.

Em 2017, eram esperadas no Brasil 11,5 milhões de mamografias, mas só foram realizadas 2,7 milhões, o que representa uma cobertura de 24,1%, muito abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Rio Grande do Sul realizou pouco mais de 205 mil exames, o que representa um percentual de cobertura de 26,2%, ocupando o 8º lugar no ranking de cobertura nacional. 

Na macrorregião Norte (147 municípios) foram feitas 34 mil mamografias nesta faixa etária utilizada para a pesquisa, segundo dados do DataSUS. Passo Fundo, que é a maior cidade dessa região, realizou cerca de 3,3 mil mamografias. “Conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Passo Fundo, por exemplo, a população de mulheres entre 50 e 69 anos é de cerca de 18 mil. Considerando que grande parte da população utiliza o SUS, acredita-se que esse número de mamografias é muito abaixo do esperado”, comenta o oncologista do CTCAN.

Conforme a pesquisa, as regiões Norte e Centro-Oeste apresentam as menores coberturas. Os três piores estados foram Amapá, que realizou apenas 260 exames em detrimento dos 24 mil esperados, seguido do Distrito Federal, com 5 mil realizados quando eram esperados 158,7 mil, e Rondônia, cuja expectativa era de realizar 76,9 mil, mas somente 5,7 mil foram realizados.

Para Machado, um dos principais motivos para esse cenário é a dificuldade no acesso ao exame pela população. “Há vários problemas associados. Inicialmente devemos lembrar que o orçamento da União está congelado. Não menos importante é a falta de manutenção dos equipamentos de mamografia, falta de técnicos, falta de radiologistas e a dificuldade de acesso, desde a marcação de consulta até a realização do exame”, comenta o oncologista.

A realidade pode ser ainda pior se forem consideradas mulheres de outras faixas etárias. “O fato do Ministério da Saúde não recomendar a mamografia entre 40 e 49 anos, e também recomendar apenas exames bianuais entre os 50 e 69 anos, significa que a realidade é ainda pior”, enfatiza.

Mamografia é essencial para o diagnóstico do câncer de mama

O câncer de mama é o mais incidente e a primeira causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil. Esse cenário apresentado pela pesquisa contribui para o diagnóstico tardio da doença, trazendo consequência graves para a cura do câncer de mama. A mamografia é o exame padrão para o diagnóstico de câncer de mama, permitindo detectar o câncer em fase inicial, quando é pequeno e ainda não é palpável. “Não há dúvidas que a baixa cobertura de mamografias na população seja a causa principal dos diagnósticos tardios do câncer de mama. Em pesquisa do Instituto Nacional de Câncer em 2017, mais de 60% de suas pacientes autoidentificaram o tumor na mama, por meio do autoexame e não pela mamografia. Isso é sinônimo de alta mortalidade”, ressalta Machado.

O acesso à mamografia precisa melhorar. “Quando falamos em política de rastreamento para diagnóstico precoce deve haver a busca ativa da população alvo para realizar o exame. O que temos no Brasil são recomendações. Precisamos encaminhar as mulheres para o exame, disponibilizar exames em tempo adequado para todas elas, e fazer com que o resultado do exame chegue ao médico para o encaminhamento pertinente. A partir deste ponto teremos que vencer outros desafios”, observa o oncologista do CTCAN.

Ranking de cobertura nacional %         

1 - Bahia                      33,8

2 - Paraná                      30,4

3 - Piauí                      29,6

4 - Minas Gerais               29,3

5 - Pernambuco               29

6 - São Paulo               28,7

7 - Santa Catarina               27,4

8 - Rio Grande do Sul        26,2

9 - Alagoas                     25,5

10 - Espírito Santo               25,5

11 - Sergipe                     25,3

12 - Paraíba                     21,1

13 - Roraima                     20,1

14 - Ceará                     18,4

15 - Mato Grosso do Sul        18,1

16 - Rio Grande do Norte        17,9

17 - Amazonas               17,2

18 - Acre                     16,6

19 - Rio de Janeiro               14,5

20 - Goiás                     11,8

21 - Pará                     10,4

22 - Tocantins              9,3

23 - Maranhão              9

24 - Mato Grosso              8,3

25 - Rondônia              7,4

26 - Distrito Federal    3,2

27 - Amapá                    1,1

 

2 Dr. Alvaro Machado

 

2 d mama

 

Natália Fávero - AI

 

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